Senado aprova Pacheco para o TCU por 63 a 4; Câmara decide nesta quarta
Por 63 votos a 4, o Senado aprovou o ex-presidente da Casa para a vaga aberta pela renúncia de Bruno Dantas. A indicação vai à Câmara nesta quarta — e reacende o desgaste entre Lula e Alcolumbre
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- O Senado aprovou, por 63 votos a 4, a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) nesta terça-feira (1º).
- A indicação segue para a Câmara, que decide nesta quarta (2); se aprovada, Pacheco assume a vaga aberta pela renúncia antecipada de Bruno Dantas.
- Pacheco era o nome que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, queria no STF — vaga que Lula preencheu com Jorge Messias, rejeitado pelo Senado em abril.
- A análise foi acelerada por urgência, indo direto ao plenário, com Renan Calheiros como relator.
- Por que isso importa: o episódio recompõe a relação Lula–Alcolumbre num momento em que o governo precisa do Congresso para pautas prioritárias em ano eleitoral
O Senado aprovou nesta terça-feira (1º), por 63 votos a 4, a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A votação folgada encerra — ao menos no plenário do Senado — a novela sobre o futuro de um dos políticos mais influentes da Casa, e a indicação segue agora para a Câmara dos Deputados, que a analisa nesta quarta-feira (2).
Se confirmada pelos deputados, a nomeação levará Pacheco à vaga aberta pela saída antecipada do ministro Bruno Dantas, que renunciou na segunda (31) em ofício ao presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho. Em nota e vídeo, Dantas disse deixar o cargo para se dedicar a "novos projetos" e afirmou encerrar o ciclo convicto de que "a rotatividade nos altos cargos do país é uma virtude".
Uma votação costurada — e acelerada
O placar expressivo não foi acaso. A indicação é assinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e por outros 19 senadores — um arco que atravessa governo e oposição, incluindo a líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). Pacheco é um dos principais aliados de Alcolumbre.
O trâmite foi desenhado para ser rápido. Antes da votação, os senadores aprovaram um requerimento de urgência que levou a indicação direto ao plenário, sem passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Alcolumbre então nomeou Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, como relator.
Na tribuna, Otto Alencar (PSD-BA) defendeu aprovação unânime e relembrou a atuação de Pacheco na presidência do Senado, sobretudo diante dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. "Ele merece, pela história de vida, pelo trabalho dele, como ele se portou", afirmou.
O pano de fundo: a vaga do STF que não veio
Para entender o peso do gesto, é preciso recuar. Alcolumbre defendia o nome de Pacheco para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso em outubro de 2025. Lula, porém, optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias.
O desfecho foi histórico: em abril, o Senado rejeitou Messias por 42 votos a 34 — a primeira vez em 132 anos que a Casa derrubou uma indicação presidencial ao STF. Após a derrota, Lula se afastou politicamente de Alcolumbre, atribuindo a ele articulação para inviabilizar o indicado. A ida de Pacheco ao TCU pode ser lida, nesse arco, como o reposicionamento de um nome que ficou sem o destino que seus aliados desejavam — e o próprio senador já dizia, desde o ano passado, considerar o STF "página virada".
O mesmo nome que o Planalto barrou no caminho do Supremo chega agora, com folga, à Corte de Contas.
O que a nomeação recompõe
O timing político não é trivial. Governo e presidente do Senado retomaram o diálogo recentemente, e a aprovação de Pacheco chega enquanto o Executivo busca apoio para pautas que considera prioritárias no ano eleitoral: as PECs do fim da escala 6x1 e da segurança pública, além da medida provisória que extingue a chamada "taxa das blusinhas". Aprovar com tranquilidade um aliado de Alcolumbre é moeda nessa reaproximação.
Há ainda um dado institucional que dá dimensão ao cargo: um ministro do TCU pode permanecer até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. Pacheco tem 49 — o que, na prática, abre a ele a perspectiva de mais de duas décadas na Corte de Contas, um horizonte que a política eletiva, com seus ciclos de quatro anos, não oferece.
Quem é Rodrigo Pacheco
Advogado formado pela PUC-Minas, Pacheco iniciou a trajetória como deputado federal por Minas Gerais, onde presidiu a Comissão de Constituição e Justiça antes de se eleger senador em 2018. Chegou ao comando do Senado em fevereiro de 2021 e se reelegeu para o biênio seguinte, consolidando fama de articulador moderado e institucional, com papel de interlocução entre os Poderes. Passou por MDB, DEM, PSD e, por fim, PSB. Chegou a ser cotado para o governo de Minas, mas desistiu da disputa e sinalizou intenção de encerrar a carreira eletiva ao fim do mandato.
O que falta
A palavra final é da Câmara, nesta quarta. Aprovada a indicação pelos deputados, Pacheco troca o mandato eletivo — e sua incerteza — pela estabilidade de uma cadeira que pode ocupar por mais de vinte anos. Numa semana em que Brasília ferve em várias frentes, a migração tranquila de um ex-presidente do Senado para o TCU é também um retrato de como as engrenagens do poder se reacomodam longe dos holofotes: sem crise, sem placar apertado, e com assinaturas dos dois lados do espectro.
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