STF impõe sigilo máximo ao processo de Daniel Vorcaro: Transparência em xeque na investigação do Banco Master
Em meio a suspeitas de fraudes bilionárias e conexões políticas, a decisão do ministro Dias Toffoli restringe o acesso total ao caso; O que isso significa para a Operação Compliance Zero?

O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão controversa ao decretar sigilo máximo sobre o pedido da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um momento crucial das investigações sobre supostas fraudes financeiras que movimentaram cerca de R$ 12 bilhões. A medida, determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do processo, elevou o nível de reserva de segredo de Justiça para sigilo absoluto, tornando indisponíveis até mesmo dados básicos de movimentação processual. Inicialmente, era possível acompanhar atualizações gerais do caso, mas agora nem isso é viável, o que tem gerado críticas de juristas e parlamentares sobre a transparência no Judiciário.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025, investiga a emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, com promessas de rendimentos até 40% acima da taxa básica de juros, atraindo investidores que agora enfrentam perdas significativas. No mesmo dia da ação, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da instituição e a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores, incluindo Vorcaro. A prisão do banqueiro ocorreu no Aeroporto de Guarulhos (SP), quando ele se preparava para embarcar em um jato particular rumo a Malta, com destino final nos Emirados Árabes Unidos, alegadamente para finalizar a venda do banco.
A defesa de Vorcaro argumenta que a Justiça Federal de Brasília, responsável pela operação e autorizada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, não seria competente para julgar o caso. O habeas corpus protocolado no STF em 28 de novembro cita, como principal justificativa, um documento apreendido pela PF com menção ao deputado federal João Carlos Bacelar Filho (PL-BA), relacionado a um negócio imobiliário em Trancoso (BA). Segundo os advogados, isso atrairia a competência originária do STF, similar ao que ocorreu na Operação Overclean, que envolveu desvios de emendas parlamentares. O deputado Bacelar, em nota, esclareceu que o envelope continha papéis sobre uma opção de compra de imóvel que Vorcaro exerceria, mas que o negócio não se concretizou devido às dificuldades financeiras do banco.
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