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STF reage a pacote de medidas da Câmara: Barroso defende estabilidade institucional

Presidente do Supremo alerta contra mudanças baseadas em "ciclos eleitorais" enquanto CCJ aprova projetos que limitam poderes da Corte

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Em um momento de tensão entre os Poderes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, fez um pronunciamento contundente nesta quinta-feira em defesa da estabilidade institucional. Sua declaração vem em resposta direta ao avanço de um pacote de medidas na Câmara dos Deputados que visa limitar a atuação do STF.

"Não se mexe em instituições que estão funcionando, e cumprindo bem a sua missão, por injunções dos interesses políticos circunstanciais e dos ciclos eleitorais", afirmou Barroso, ressaltando o papel do STF na manutenção da democracia e do pluralismo.

O pronunciamento ocorre um dia após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovar uma série de projetos que alteram o funcionamento da Corte. Entre as medidas aprovadas estão:

  1. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita decisões individuais dos ministros do STF.

  2. Um texto que dá poder ao Congresso para derrubar decisões do Supremo consideradas extrapolações constitucionais.

  3. Projetos que facilitam o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do tribunal.

O ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, também se manifestou, destacando o papel do STF na normalização da política brasileira: "Se a política voltou a respirar ares de normalidade, isso também se deve à atuação firme deste tribunal."

Ambos os ministros aproveitaram a ocasião para celebrar os 36 anos da Constituição de 1988, enfatizando a importância da Justiça Eleitoral e das urnas eletrônicas para a democracia brasileira.

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Enquanto isso, na Câmara, o pacote de medidas, articulado pela oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou força na CCJ. A PEC que limita decisões individuais dos ministros foi aprovada com 39 votos favoráveis e 18 contrários. Já o texto que permite ao Congresso derrubar decisões do STF recebeu 38 votos a favor e 12 contra.

Apesar do avanço na comissão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sinalizou a aliados que não pretende pautar o pacote "anti-STF" no plenário da Casa.

Ministros do STF, por sua vez, avaliam que as propostas, caso aprovadas, podem ser consideradas inconstitucionais. Eles argumentam que as medidas ferem o princípio da separação dos Poderes e possuem "vício de origem", por não terem sido propostas pelo próprio Supremo.

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O embate entre Legislativo e Judiciário evidencia um momento delicado na relação entre os Poderes, com potenciais impactos na governabilidade e na estabilidade institucional do país. A sociedade brasileira agora aguarda os próximos capítulos desse importante debate sobre os limites e atribuições de cada Poder da República.