Poder e Bastidores

Tarcísio de Freitas é o único nome que tem reais chances de conduzir a direita novamente ao poder

Governador de São Paulo tem o que Bolsonaro nunca teve, verniz e vivência com a esquerda brasileira; enquanto isso, Michelle serve de 'cortina de fumaça' para blindar Tarcísio

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas pode ser o nome que falta para a direita chegar ao poder novamente em 2026 derrotando Lula. Evidente que ainda é muito cedo para fazer esse tipo de previsão, mas o problema é que, diferente de 2002 Lula não terá o mesmo tempo para construir uma agenda positiva e convencer o eleitorado, mesmo tendo apresentado bons números na economia.

O maior desafio enfrentado pelo petista é a comunicação. Os grupos de direita estão organizados, e a oposição mais virulenta que era no passado. Desde que Dilma Rousseff foi apeada do poder num claro movimento das elites que comandam o país, a comunicação pulverizou. Um segmento do eleitorado, sequer dá bola para os números positivos apresentados pelo governo porque eles consideram mentirosos e quando os recebem, contestam apresentando noticias distorcidas.

Outro ponto relevante é toda a construção que vem sendo feita em cima do nome de Tarcísio, que participou do governo Dilma, e conhece bem as entranhas da esquerda, afinal, navegou por essas águas. Sem contar o fato de que Tarcísio conseguiu um grande feito, sobreviver a onda de denúncias que corróem o bolsonarismo, e de ter sido um dos poucos a realmente ter tido sucesso na campanha eleitoral, conseguindo eleger-se governador do estado com maior PIB do país, e politicamente falando, um dos mais importantes colégios eleitorais.

E se engana quem acha que a gestão de Tarcísio não agrada os paulistas. As maiores críticas vem da capital, que tem um eleitorado pulverizado, já o interior paulista é praticamente unanime em acreditar que ele é um bom governador.

Paralelo a isso, temos uma máquina de mensagens em grupos em aplicativos como Telegram e WhatsApp, além de outras redes, que alimentam a oposição, espalha notícias distorcidas e acredita piamente que Bolsonaro e seus aliados são perseguidos pela ‘ditadura de toga’ e não passa de uma ‘vítima do sistema’ que ‘tirou o melhor presidente que o país já teve’. E isso não se trata de achismo de minha parte, e sim de constatação.

E Tarcísio vai além. Ele tem uma camada de verniz que falta a Jair Bolsonaro, e agrada a elite e o mercado. Tarcísio é privatista e dificilmente correria o risco de colocar um liberal como Paulo Guedes na economia, mas certamente nomearia alguém com perfil similar. Além disso, o discurso linha dura de ‘bandido bom é bandido morto’, acerta e cheio uma população vítima de ladrões pé de chinelo, que aterrorizam o dia a dia na capital paulista. O que talvez falte a Tarcísio ainda é organização e claro, conseguir atender os interesses de parte da direita mais radical, mas isso tampouco é empecilho.

Com o passar do tempo, esses grupos naturalmente devem apoia-lo já que a convergência para um nome da direita é natural, vez que a esquerda patina sem conseguir construir um sucessor para Lula. E é aí o calcanhar de Aquiles dos movimentos de esquerda e centro-esquerda. Lula não é o PT, mas o PT é Lula e sem Ciro que se perdeu e Tebet que se rendeu, dificilmente sobra outro nome para liderar os movimentos centro-direita.

Se Lula deixar o cenário político, nenhum de seus possíveis sucessores (exceto Haddad, cujo sucesso depende de como vai caminhar a economia) tem capacidade de agregar e atender tantos interesses de uma vez só.

Já na direita, Tarcísio leva vantagem, pois une o Centrão e agrada até mesmo os mais radicais. Enquanto a mídia distrai todo mundo colocando Michelle Bolsonaro como possível candidata em 2026, o que cá para nós é um nome totalmente inviável, e basta ter um pouco de bom senso para compreender a impossibilidade, Tarcísio vai ficando de lado, passando incólume enquanto ela ‘apanha’ da esquerda e agrega na direita.

Portanto, engana-se quem acha que 2026 será um passeio em caso de reeleição de Lula. O nome da direita, sem dúvida alguma é. o de Tarcísio.