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Tarifaço de Trump ameaça setor siderúrgico brasileiro e pode redesenhar comércio global de aço

Brasil, segundo maior fornecedor de aço para os EUA com exportações de US$ 2,99 bilhões em 2024, enfrenta nova onda protecionista que pode redirecionar fluxo comercial para Ásia

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Em uma medida que promete abalar o mercado global de metais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciará nesta segunda-feira (10) a imposição de novas tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil e outros importantes parceiros comerciais como Canadá, México, Coreia do Sul e Vietnã.

A nova sobretaxa, que se soma às tarifas já existentes, atinge em cheio o setor siderúrgico brasileiro, que em 2024 exportou 4,08 milhões de toneladas de aço para os EUA, representando 15,5% do total importado pelo mercado americano. O montante equivale a US$ 2,99 bilhões (aproximadamente R$ 16,8 bilhões), consolidando o Brasil como segundo maior fornecedor do metal para os Estados Unidos.

Segundo informações da Reuters, a medida já provocou forte turbulência nos mercados asiáticos, com quedas expressivas nas ações de siderúrgicas. Na Coreia do Sul, um dos países mais afetados, a Hyundai Steel viu suas ações despencarem 2,9%, enquanto o Ministério da Indústria local convocou uma reunião de emergência para discutir medidas mitigadoras.

"O impacto será relevante para o setor siderúrgico brasileiro, mesmo que a maior parte de nossas exportações de aço tenha como destino a Ásia", afirmou Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em entrevista ao O Globo. Ele defendeu que a solução para o impasse deve ser buscada pela via diplomática.

De acordo com análises do The New York Times, a nova medida protecionista faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para pressionar parceiros comerciais e, especialmente, conter a influência chinesa no mercado global de metais. No entanto, especialistas alertam que o efeito pode ser contrário ao pretendido.

Chu Xinli, analista da China Futures, prevê uma reconfiguração significativa do comércio global de aço. "A demanda americana será reduzida devido aos preços mais altos, afetando setores como automotivo, eletrodomésticos e construção civil. O aço que seria destinado aos EUA provavelmente será redirecionado para outros mercados, principalmente asiáticos", explica.

A Bloomberg reporta que algumas empresas já consideram alternativas para driblar as tarifas. A Hyundai Steel, por exemplo, que fornece aço para as fábricas da Hyundai e Kia nos EUA, estuda a possibilidade de construir uma nova unidade em território americano para evitar o impacto das sobretaxas.

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O cenário preocupa especialmente o setor siderúrgico brasileiro, que vinha aumentando sua participação no mercado americano. Analistas do setor estimam que as novas tarifas podem resultar em uma queda de até 30% nas exportações brasileiras de aço para os EUA, forçando as empresas a buscar mercados alternativos ou reduzir sua produção.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se pronunciou oficialmente sobre as novas tarifas, mas fontes do governo indicam que o país deve buscar negociações bilaterais para tentar obter isenções ou redução das alíquotas, seguindo estratégia semelhante à adotada em 2018, quando Trump impôs tarifas similares.