Poder & Bastidores

Taurus pagará R$ 60 mil a voluntários que resgataram armas em vez de crianças no Aeroporto de Porto Alegre

Em meio ao caos das enchentes de 2024, voluntários mobilizados para salvar vidas descobriram uma missão sigilosa de resgate de arsenal – e agora buscam justiça por danos morais

Compartilhar: WhatsApp X LinkedIn
Imagem de drone mostra avião em meio a alagamento no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, no dia 7 de maio de 2024 — Foto: Wesley Santos/Reuters

A tragédia das enchentes que devastou o Rio Grande do Sul em maio de 2024 ainda ecoa em processos judiciais que revelam não apenas a dimensão humanitária da calamidade, mas também controvérsias éticas envolvendo empresas privadas. Em uma decisão proferida pela 6ª Vara Federal de Porto Alegre, a fabricante de armas Taurus Armas S.A. foi condenada em primeira instância a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil para cada um dos seis voluntários que participaram de uma operação de resgate no Aeroporto Internacional Salgado Filho. O total chega a R$ 60 mil, corrigidos pela inflação, mais honorários advocatícios, conforme sentença assinada pelo juiz federal Rodrigo Machado Coutinho.

A operação, ocorrida em 9 de maio de 2024, foi desencadeada pela Polícia Federal (PF) para remover um estoque estimado em cerca de 3 mil armas de fogo – fuzis e pistolas – que estava ilhado no terminal de cargas do aeroporto devido às inundações históricas. O contexto era de calamidade pública: as cheias afetaram mais de 400 municípios gaúchos, causaram 189 mortes confirmadas e deixaram dezenas de desaparecidos, paralisando infraestruturas essenciais como o Aeroporto Salgado Filho. A PF, preocupada com o risco de saque por facções criminosas, determinou a retirada imediata da carga, sob escolta armada e coordenação federal. A União, ré no processo, foi absolvida por atuar corretamente na garantia de segurança, em um cenário de “desastre humanitário e econômico sem precedentes”, como descreveu o juiz Coutinho em sua decisão.

Os autores da ação – cinco homens e uma mulher, vindos de Capão da Canoa (RS) – alegaram terem sido induzidos em erro por mensagens em um grupo de WhatsApp na noite de 8 de maio. Os áudios, enviados por uma funcionária da Taurus identificada como Vivian Rodrigues Pinto, descreviam uma “missão urgente e sigilosa” para resgatar crianças ilhadas, priorizando o salvamento de vidas em uma das áreas mais críticas da enchente. “Era uma das prioridades do Estado”, afirmava a mensagem, que mobilizou o grupo a partir com caminhão guincho, dois barcos e veículos particulares, custeando despesas próprias.

Continue lendo

Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
Por menos de um café por semana, leia sem limites.

Assinar agora — R$19,90/mêsJá sou assinante — Entrar
💬 Comentários

Carregando comentários…