Tentativa de golpe no Brasil: As alegações finais da PGR contra Bolsonaro e aliados
Documento de 517 páginas detalha plano sistemático para subverter a democracia, com provas que apontam para crimes graves e articulação militar

Na noite de 14 de julho de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais do inquérito que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado orquestrada em 2022. Com 517 páginas, o documento, protocolado minutos antes do prazo final, acusa Jair Bolsonaro e sete aliados de integrarem o "núcleo crucial" de uma organização criminosa que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. As provas reunidas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) expõem um plano meticuloso, com desinformação, pressão sobre as Forças Armadas e até um projeto de assassinato de autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Uma trama planejada desde 2021
Segundo a PGR, a tentativa de golpe não foi uma reação impulsiva à derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022, mas uma estratégia iniciada em 2021, após a anulação das condenações de Lula pelo STF, que o recolocou como adversário competitivo. A denúncia aponta que Bolsonaro, ao lado de figuras-chave do governo e das Forças Armadas, articulou um ataque sistemático ao sistema eleitoral brasileiro. Lives, reuniões ministeriais e documentos forjados foram usados para desacreditar as urnas eletrônicas, mesmo sem qualquer evidência de fraude.
A agenda pessoal de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, é uma das provas centrais. Manuscritos encontrados pela PF detalham reuniões onde se planejava um discurso contra as urnas, com a frase: “É válido continuar a criticar a urna eletrônica”. Heleno, segundo a PGR, coordenava ações clandestinas, incluindo a infiltração de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em campanhas eleitorais.
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