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Venda do Master ao BRB foi tratada na Suíça por Ibaneis e Vorcaro

Documento ao Supremo cita encontro em Zurique em 2025 e alega que ex-governador interferiu em decisões do banco público antes da governança formal

Venda do Master ao BRB foi tratada na Suíça por Ibaneis e Vorcaro
📷 TV Globo
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  • A Polícia Federal (PF) enviou novos relatórios ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
  • Investigadores citam uma reunião em Zurique, em janeiro de 2025, envolvendo o ex-governador Ibaneis Rocha e executivos das instituições.
  • A PF alega "captura institucional", afirmando que decisões estratégicas do banco eram submetidas ao ex-gestor antes da deliberação formal.
  • Por que isso importa: O caso testa os limites da interferência política em instituições financeiras públicas e a transparência em operações bilionárias.
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A Polícia Federal (PF) enviou novos relatórios ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalhando a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O documento cita uma reunião em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025, envolvendo o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e aponta suposta interferência política na condução da instituição financeira pública.

Reunião em Zurique e cronologia das tratativas

De acordo com os investigadores, as articulações começaram em outubro de 2024, quando o BRB buscou captar até R$ 1 bilhão no mercado para ampliar o capital social. A PF aponta que, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o banco público comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master.

O relatório baseia-se em mensagens extraídas dos celulares de Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, dono do Master. Ambos estão presos. A cronologia destacada pela PF inclui:

  1. 20 de janeiro de 2025: Costa informa a Vorcaro que Ibaneis Rocha pediu para marcar uma reunião.
  2. 23 de janeiro de 2025: Encontro em Zurique com Rocha, Vorcaro, Costa e um quarto interlocutor identificado como "Leonardo".
  3. 26 de janeiro de 2025: Vorcaro questiona Costa sobre a negociação, citando interesse do jornalista Lauro Jardim. Costa demonstra preocupação com o vazamento.


Acusação de "captura institucional"

A investigação sustenta que Ibaneis Rocha "não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais". A PF lista quatro frentes de atuação direta: articulação com agentes privados, validação de decisões operacionais críticas, definição da estratégia de expansão do BRB e autorização dos montantes do aumento de capital.

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"Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público", afirma o relatório da PF.

Os investigadores concluem que o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB por meio de fundos de investimento (Borneo, Verbier e Delta), estruturados para ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle.

A versão da defesa do ex-governador

Procurada, a defesa de Ibaneis Rocha negou qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmam que o ex-governador "não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência nas operações realizadas pelo BRB".

O texto da defesa ressalta que o relatório da própria PF mostra que Ibaneis "não é interlocutor direto em nenhuma mensagem com Daniel Vorcaro e seu nome somente é mencionado pela Polícia Federal em quatro oportunidades, o que não permite imputar qualquer responsabilidade ao ex-Governador". A defesa sustenta que o contato se deu em "contexto natural, institucional e republicano", com total autonomia do então presidente do banco nas negociações.

O desafio probatório no Supremo

A operação bilionária entre as instituições ocorre em um cenário de alta sensibilidade política e regulatória. O uso de fundos de investimento para ocultar beneficiários finais é uma prática frequentemente monitorada pelo Banco Central e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A alegação de que decisões do BRB eram submetidas a um gestor público antes dos órgãos formais de governança, se comprovada, configura uma grave quebra dos protocolos de compliance de uma instituição financeira estatal.

O novo relatório da PF eleva o grau de complexidade do inquérito que já tramita no STF. Enquanto a investigação avança na tentativa de materializar a suposta "captura institucional", a defesa de Ibaneis Rocha aposta na ausência de interlocução direta com Vorcaro como escudo jurídico. O desfecho dependerá da capacidade da acusação de transformar mensagens de celular e cronologias em provas robustas de que o interesse público foi, de fato, subordinado a agendas privadas.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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