Vorcaro presta depoimento à PF sobre corrupção no Banco Central
Adiada na semana passada, oitiva por videoconferência foi remarcada para esta quinta e ocorre com a nova defesa do banqueiro, que aposta em delação premiada
📋 Em resumo ▾
- Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (27), às 10h, por videoconferência, a partir da carceragem onde está preso no DF.
- A oitiva integra o inquérito da Operação Compliance Zero que investiga dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Banco Master.
- É o primeiro depoimento com a nova defesa, reforçada pelo criminalista Daniel Bialski, que tenta reabrir negociação de delação premiada.
- O depoimento foi adiado no dia 20 a pedido da defesa, que alegou falta de acesso integral aos autos.
- Por que isso importa: o caso expõe a suspeita de que a fiscalização do sistema financeiro foi contaminada por dentro, com servidores orientando o banqueiro que deveriam supervisionar.
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, presta depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (27), às 10h, no inquérito que apura suspeita de corrupção envolvendo ex-servidores do Banco Central. A oitiva será por videoconferência, a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a "Papudinha", onde ele está preso preventivamente desde 4 de março.
O que a PF quer ouvir do banqueiro
O depoimento faz parte de um inquérito específico da Operação Compliance Zero: o que investiga Paulo Sérgio Neves de Souza (ex-diretor de Fiscalização do BC) e Belline Santana (ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária). Os dois são suspeitos de ter recebido vantagens indevidas para favorecer os interesses do Master, e negam irregularidades.
Segundo a investigação, os servidores teriam funcionado como uma espécie de consultoria paralela, orientando Vorcaro tecnicamente na redação de ofícios enviados ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para blindar os negócios do banqueiro. A comunicação, de acordo com a PF, ocorria por aplicativo de mensagens — inclusive em um grupo criado semanas antes da liquidação da instituição.
Os servidores faziam uma consultoria de dentro para fora, orientando o banqueiro que deveriam fiscalizar.
Adiado no dia 20, remarcado para esta quinta
A oitiva estava marcada originalmente para o dia 20 de agosto, mas foi adiada a pedido da defesa, que alegou precisar de mais tempo para analisar os autos e o conteúdo das operações antes de o cliente voltar a depor. A Polícia Federal reagendou o depoimento para esta quinta-feira (27), mantendo o horário e o formato por videoconferência.
Este é o primeiro depoimento de Vorcaro com a nova configuração de sua equipe de defesa. Neste mês, o criminalista Daniel Bialski passou a atuar ao lado do advogado Sérgio Leonardo, que acompanha o ex-banqueiro desde o início das apurações. A dupla revisa a estratégia adotada até agora e tenta reabrir a negociação de um acordo de colaboração premiada com a PF ou com a Procuradoria-Geral da República.
Cinco meses de prisão e uma investigação que se ramifica
Vorcaro está preso há cerca de cinco meses. Ele chegou a ser detido pela primeira vez em novembro de 2025, na fase inicial da Compliance Zero, mas foi solto por decisão judicial. Retornou à prisão em 4 de março de 2026, na terceira fase da operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje relator do caso.
O inquérito sobre os servidores do BC é apenas uma das frentes. A Operação Compliance Zero apura fraudes bilionárias no Master, o uso do FGC como eixo do modelo de negócios e a tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB) — instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal. O Master foi levado à liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025.
A suspeita não é apenas de fraude bancária, mas de captura da fiscalização que deveria contê-la.
Por que o depoimento importa além do Master
O ponto sensível deste inquérito não é o tamanho do rombo, mas onde ele se aloja. Se confirmada, a hipótese da PF descreve algo mais grave do que uma fraude financeira: a suspeita de que a estrutura de supervisão do sistema financeiro nacional teria sido orientada, por dentro, a favor de quem deveria fiscalizar. O que Vorcaro disser — ou deixar de dizer — nesta quinta pode definir se a investigação sobe da mesa do banqueiro para a dos reguladores.
Resta a pergunta que a oitiva não necessariamente responderá: quando um banco em dificuldade encontra ouvidos dentro do órgão que decide seu destino, quem, afinal, estava supervisionando o sistema?
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