Advogado é encontrado morto a tiros em Jeremoabo, na Bahia
Diego Fraga de Castro, 41 anos, foi localizado dentro do próprio carro na estrada de acesso ao povoado Espinheiro; OAB-BA solicita apuração "profunda e célere" à Secretaria de Segurança Pública e designa representante para acompanhar as investigações da Polícia Civil
📋 Em resumo ▾
- Diego Fraga de Castro, 41 anos, advogado residente em Paulo Afonso/BA, foi encontrado morto na noite de terça-feira (4) na zona rural de Jeremoabo, no nordeste da Bahia
- A vítima foi localizada dentro do próprio carro, na estrada de acesso ao povoado Espinheiro, nas proximidades da Serra da Santa Cruz, com marcas de disparos de arma de fogo
- O 20º Batalhão da Polícia Militar foi acionado por denúncia e isolou a área para perícia; a Polícia Civil da Bahia investiga autoria e motivação do crime, que ainda são desconhecidas
- A OAB-BA e a Subseção de Paulo Afonso lamentaram a morte com "imenso pesar e indignação", solicitaram à SSP-BA apuração célere e designaram representante para acompanhar as investigações
- Por que isso importa: O assassinato de um advogado no interior da Bahia reacende o debate sobre a segurança de operadores do Direito em regiões onde a violência letal atinge taxas superiores às médias estaduais e o poder paralelo impõe silêncio
O advogado Diego Fraga de Castro, 41 anos, foi encontrado morto na noite de terça-feira (4) na zona rural de Jeremoabo, município localizado no nordeste da Bahia, a cerca de 340 quilômetros de Salvador. A vítima, que residia em Paulo Afonso e exercia a advocacia na região, foi localizada dentro do próprio carro, na estrada de acesso ao povoado Espinheiro, nas proximidades da Serra da Santa Cruz, com marcas de disparos de arma de fogo. As circunstâncias e a autoria do crime ainda são desconhecidas e serão investigadas pela Polícia Civil da Bahia.
A noite de terça: denúncia, PM e o isolamento da área
O crime foi descoberto após uma denúncia anônima que acionou equipes do 20º Batalhão da Polícia Militar da Bahia. Ao chegarem ao local, na estrada rural que dá acesso ao povoado Espinheiro, os policiais confirmaram a ocorrência e isolaram a área para o trabalho da perícia técnica.
Diego Fraga de Castro morava em Paulo Afonso, cidade localizada a aproximadamente 80 quilômetros de Jeremoabo, na divisa entre Bahia e Alagoas. A distância entre a residência do advogado e o local onde foi encontrado levanta questões sobre o que o levava àquela estrada rural na noite de terça-feira — questões que a Polícia Civil ainda não respondeu publicamente.
"As circunstâncias e a autoria do crime ainda são desconhecidas e serão investigadas pela Polícia Civil."
A OAB entra em cena: indignação, apuração e acompanhamento
A notícia da morte provocou reação imediata da Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Bahia (OAB-BA) e da Subseção de Paulo Afonso. Em nota conjunta, as entidades lamentaram a morte do profissional com "imenso pesar e indignação" e anunciaram uma série de medidas institucionais.
A OAB-BA informou que busca reunir mais informações sobre o caso para encaminhá-las à Procuradoria Jurídica e de Prerrogativas da seccional. A Subseção de Paulo Afonso, por sua vez, afirmou que acompanha o caso desde as primeiras horas e que prestará apoio às autoridades responsáveis pela investigação.
A seccional baiana anunciou ainda que solicitará à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) uma apuração "profunda e célere" do homicídio, além de designar um representante para acompanhar o andamento das investigações. A medida é protocolar em casos de violência contra advogados, mas ganha peso em um estado onde o número de homicídios de profissionais do Direito tem sido recorrente.
Jeremoabo e o semiárido baiano no mapa da violência
Jeremoabo é um município de aproximadamente 42 mil habitantes no território do Sertão do São Francisco, uma das regiões mais pobres e violentas da Bahia. O semiárido baiano concentra taxas de homicídio superiores à média estadual, com disputas por terra, conflitos agrários e, mais recentemente, o avanço do crime organizado em rotas de tráfico que cortam o interior.
A Serra da Santa Cruz, próxima ao local onde Diego foi encontrado, é uma área de difícil acesso e baixa densidade populacional — características que facilitam crimes de execução, onde a ausência de testemunhas e a demora na descoberta do corpo dificultam a elucidação dos casos.
A morte de Diego Fraga de Castro ocorre em um contexto de crescente preocupação da OAB nacional com a segurança de advogados. Em 2025, a entidade registrou mais de uma dezena de assassinatos de profissionais do Direito em todo o país, muitos deles em regiões de fronteira agrícola ou em cidades médias onde o crime organizado impõe silêncio.
O que se sabe e o que falta saber
As informações disponíveis até o momento são fragmentárias. Sabe-se que:
- Diego Fraga de Castro tinha 41 anos e atuava como advogado em Paulo Afonso;
- Foi encontrado morto dentro do próprio veículo, na noite de terça-feira (4), na zona rural de Jeremoabo;
- A causa da morte foi disparos de arma de fogo;
- A Polícia Militar isolou a área e a Polícia Civil assumiu as investigações;
- A OAB-BA e a Subseção de Paulo Afonso acompanham o caso e solicitaram apuração célere.
O que não se sabe:
- Qual a motivação do crime — se profissional, pessoal ou circunstancial;
- Quem são os suspeitos — a Polícia Civil não divulgou nomes ou linhas de investigação;
- O que Diego fazia em Jeremoabo na noite do crime;
- Se há relação entre o assassinato e sua atuação profissional — a OAB não informou se o advogado atuava em causas de risco ou se recebia ameaças.
A ausência de informações públicas é comum nas primeiras 48 horas de uma investigação criminal. Mas em regiões como o sertão baiano, onde a impunidade em homicídios supera 80%, o silêncio inicial muitas vezes se prolonga até o esquecimento.
A morte de Diego Fraga de Castro não é, infelizmente, um caso isolado. É mais um nome em uma lista que a OAB vem atualizando com frequência preocupante: advogados mortos em estradas rurais, em portas de escritórios, em estacionamentos de fóruns. A diferença entre um homicídio elucidado e um arquivo morto, no interior do Nordeste, muitas vezes depende menos da capacidade investigativa da Polícia Civil do que da disposição de quem sabe algo em romper o silêncio.
A OAB-BA fez o que podia: pediu celeridade, designou acompanhamento, acionou a SSP. Mas a pergunta que o caso deixa é mais incômoda do que qualquer nota de repúdio: quantos advogados precisam morrer em estradas de terra do semiárido para que a proteção a operadores do Direito deixe de ser um discurso institucional e se torne uma política pública com recursos, inteligência e presença permanente? Diego Fraga de Castro tinha 41 anos. A investigação que vai determinar por que ele morreu começou ontem. Em Jeremoabo, o relógio da impunidade já está correndo.
Versão em áudio disponível no topo do post.