Candidato democrata promete deportar Flávio “no primeiro dia”
Isaiah Martin, candidato democrata e influenciador com milhões de seguidores, fez referência à captura de Maduro
📋 Em resumo ▾
- O democrata Isaiah Martin, candidato ao Congresso dos EUA pelo Texas e influenciador digital, disse que Flávio Bolsonaro será deportado “no primeiro dia”.
- Ele também sugeriu que o Brasil “pegue” Flávio “no meio da noite, de helicóptero”, numa referência à captura de Nicolás Maduro pelos EUA.
- Martin não é deputado e, mesmo se eleito, não teria poder para deportar ninguém. Deportação é decisão do Poder Executivo.
- Flávio entrou nos EUA com visto anunciado pelo Departamento de Estado e foi liberado pela imigração. Ele não é imigrante ilegal.
- Por que isso importa: a fala mostra como a saída de Flávio virou munição na disputa entre democratas e republicanos a poucos dias das eleições de 3 de novembro.
O democrata Isaiah Martin, candidato ao Congresso dos Estados Unidos pelo Texas, disse que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será deportado “no primeiro dia” de um eventual governo democrata. A declaração foi publicada no X na terça-feira (27/10), em resposta ao empresário mexicano Simón Levy, que tinha afirmado que Flávio chegou aos EUA sob proteção do governo americano.
“Vamos deportá-lo no primeiro dia. Na verdade, deveríamos deixar o Brasil pegá-lo no meio da noite, de helicóptero!”
— Isaiah Martin, candidato democrata ao Congresso dos EUA (tradução livre)
A referência: a frase do helicóptero faz alusão à operação militar americana que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro de 2026. É uma ironia política, não uma proposta formal.
Quem é Isaiah Martin
- Não é deputado. É candidato pelo Partido Democrata no Texas. Ele disputou o 18º distrito, que abrange parte de Houston;
- é influenciador digital, com mais de 1 milhão de seguidores no TikTok e no Instagram e cerca de 327 mil inscritos no YouTube;
- é crítico do presidente Donald Trump e do movimento MAGA.
Em outra publicação, Martin chamou Flávio de “imigrante ilegal criminoso” e disse que os contribuintes americanos vão pagar “para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo” pelo país.
O que é verdade e o que não é
1. Martin pode deportar Flávio? Não.
- Deputados não deportam ninguém. A deportação é uma decisão do Poder Executivo, por meio do Departamento de Segurança Interna e do serviço de imigração, e passa pela Justiça de imigração;
- quando Martin fala em “nós”, ele se refere a um eventual governo democrata, que só poderia assumir a Presidência em janeiro de 2029, depois da próxima eleição presidencial americana.
2. Flávio é “imigrante ilegal”? Não.
- O Departamento de Estado anunciou que vai emitir vistos para Flávio e a família;
- segundo o Departamento de Segurança Interna, a família foi inspecionada pela imigração ao chegar ao sul da Flórida e liberada;
- até onde se sabe, Flávio está legalmente nos EUA.
3. Flávio é “criminoso”? Não.
- Flávio é investigado, e não acusado, em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e sobre o financiamento do filme Dark Horse;
- ele não foi indiciado, denunciado nem condenado e nega irregularidades;
- o que está comprovado é que ele descumpriu a ordem do STF ao não entregar os passaportes e ao deixar o país. Ainda não há mandado de prisão contra ele.
A ofensiva democrata
A fala de Martin faz parte de uma onda de críticas de democratas ao acolhimento de Flávio:
- 25 deputados democratas enviaram carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando explicações sobre o papel do governo americano na saída do senador do Brasil;
- a bancada democrata da Comissão de Relações Exteriores comparou o tratamento dado a Flávio com a recusa de asilo a quem foge das guerras no Sudão e no Haiti;
- o deputado Joaquin Castro, também do Texas, escreveu que “perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”.
As críticas acontecem a poucos dias das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nas quais os democratas são favoritos para retomar a Câmara.
O outro lado
Flávio Bolsonaro não comentou a declaração. O Painel Político procurou a assessoria do senador e aguarda resposta.
A promessa de Martin rende manchete, mas tem pouco efeito prático: ele não é deputado, um deputado não deporta ninguém, e a Casa Branca, que decide, já deixou claro que vai receber Flávio. O que a fala mostra é outra coisa: a fuga do senador brasileiro virou assunto de campanha nos EUA. Para os democratas, o caso é um exemplo de dois pesos e duas medidas na política migratória de Trump. Para Flávio, significa que a proteção que encontrou em Miami depende de quem governar Washington, e isso pode mudar em 2029.
🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.