Deputada entra com ação para impedir que PL siga pagando salário de Bolsonaro
Ação Popular contra desvio de verbas revela abuso de recursos públicos pós-condenação

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) dá um passo decisivo na luta contra o mau uso de dinheiro público ao protocolar ação popular na Justiça Federal, exigindo a suspensão imediata dos pagamentos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Partido Liberal. Com Bolsonaro cumprindo prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado, o caso expõe como recursos do Fundo Partidário – verba destinada a atividades partidárias essenciais – estão sendo desviados para sustentar um cargo simbólico que beira o absurdo. Essa iniciativa não só questiona a legalidade de um salário de R$ 33.800 mensais, mas reacende o debate sobre responsabilidade na política brasileira, em um momento em que o país clama por transparência e fim da impunidade.
De condenação a pagamentos questionáveis
O episódio ganha contornos dramáticos à luz da recente condenação de Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 11 de setembro de 2025, o ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicial fechado por crimes graves, incluindo tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Essa decisão histórica, por 4 votos a 1, marca a primeira vez que um ex-presidente brasileiro é punido por atentar contra a democracia, com base em provas irrefutáveis de um plano sistemático para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. Enquanto isso, desde 2023, Bolsonaro ocupa o cargo de presidente de honra do PL, criado a pedido do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Esse posto simbólico, sem atribuições efetivas, garante ao condenado um salário mensal de R$ 33.800, totalizando mais de R$ 1 milhão em repasses desde então – tudo bancado pelo Fundo Partidário, recurso público que deveria financiar formação de lideranças, manutenção de sedes e atividades institucionais, não benefícios pessoais a figuras inelegíveis e presas.
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