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"Eu não investiguei o ministro, investiguei um patrimônio público", diz jornalista alvo da PF a mando de Moraes por uso de carro oficial por familiares de Dino

Medida da PF, cumprida em São Luís, gera repúdio de entidades como Abraji e OAB-MA, reacendendo debates sobre liberdade de imprensa e sigilo de fontes no Brasil

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Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do STF — Foto: Cristiano Mariz

O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo Blog do Luís Pablo, foi alvo de mandado de busca e apreensão determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumprido pela Polícia Federal (PF) em 10 de março de 2026, em São Luís (MA). A ação integra investigação sobre suposto crime de perseguição (artigo 147-A do Código Penal) contra o ministro Flávio Dino, também do STF, motivada por reportagens publicadas em novembro de 2025 sobre o uso de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares do magistrado.

Contexto das reportagens

As publicações de Luís Pablo destacavam o suposto uso irregular de um carro blindado do TJ-MA em deslocamentos particulares de familiares de Flávio Dino na capital maranhense, além de detalhes sobre placas de veículos, quantidade de agentes e nomes de sua equipe de segurança. Segundo a PF, essas informações indicariam possível monitoramento ilegal, com risco à integridade física e psicológica do ministro. Em despacho assinado em 4 de março de 2026, Alexandre de Moraes autorizou buscas em endereços ligados ao jornalista, resultando na apreensão de computador e celulares, equipamentos essenciais ao seu trabalho.

Luís Pablo afirmou, em entrevista ao SBT News, que "eu estou respeitando a decisão, e espero bom senso na condução desse processo. Eu senti que meu direito como jornalista foi violado". Ele enfatizou que "a gente não pode se intimidar pelo trabalho de jornalista investigativo, de apurar a veracidade dos fatos e divulgar. Eu não investiguei o ministro, investiguei um patrimônio público", e negou contato direto com Dino, limitando-se a questionamentos por e-mail institucional. Em nota nas redes sociais, o jornalista reiterou que as reportagens foram produzidas "dentro da atividade jornalística, amparadas pela Constituição".

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