Moraes nega anulação da delação de Mauro Cid em caso de trama golpista
Decisão do STF mantém acordo de colaboração premiada e reforça andamento do processo contra Jair Bolsonaro e aliados

O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a ser palco de desdobramentos no caso da suposta trama golpista que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022. Nesta terça-feira (17), o ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido da defesa de Bolsonaro para anular o acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. A decisão, publicada no mesmo dia, reforça a continuidade das investigações e mantém Cid como figura central no processo que apura tentativas de ruptura democrática.
O pedido da defesa de Bolsonaro, protocolado na segunda-feira (16), foi motivado por uma reportagem da revista Veja que apontou supostas mentiras de Cid em seu depoimento ao STF na semana anterior. A defesa alegou que o militar descumpriu cláusulas de sigilo do acordo firmado com a Polícia Federal (PF), o que comprometeria a validade de sua colaboração. Segundo os advogados, Cid teria usado perfis no Instagram, identificados como @gabrielar702 e Gabriela R, associados ao nome de sua esposa, Gabriela Cid, para vazar informações sigilosas e manter contato com outros investigados, ações proibidas pelas regras da delação.
Durante o interrogatório no STF, conduzido por Moraes na semana passada, Cid negou ter utilizado redes sociais para se comunicar com outros investigados e afirmou desconhecer se os perfis mencionados pertenciam à sua esposa. A defesa de Bolsonaro, no entanto, insistiu que as mensagens trocadas nesses perfis indicariam falta de voluntariedade e credibilidade na delação, sugerindo que Cid teria agido sob pressão.
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