PL faz reunião de emergência após relatos de fuga de Flávio do Brasil
Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho se reúnem na sede do partido em Brasília. A PF apura se o senador embarcou para a Flórida. Não há confirmação oficial
📋 Em resumo ▾
- A direção do PL fez uma reunião de emergência nesta terça (27/10), em Brasília, diante de relatos de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria fugido do Brasil rumo aos EUA.
- Parte dos dirigentes e aliados não sabia da suposta viagem.
- O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), participam das conversas para definir a reação do partido.
- A PF apura se Flávio embarcou num voo para a Flórida. Não há confirmação oficial do trajeto.
- Por que isso importa: Flávio descumpriu a ordem do STF de entregar os passaportes, mas não é foragido, porque não há mandado de prisão contra ele. O PL, que sai da eleição com a maior bancada do Senado, tem agora de lidar com o sumiço do próprio candidato.
A direção do Partido Liberal (PL) fez uma reunião de emergência nesta terça-feira (27/10), em Brasília, diante de relatos de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no 2º turno da eleição presidencial, teria fugido do Brasil rumo aos Estados Unidos. O encontro acontece na sede do partido, no complexo Brasil 21. Até a publicação, não havia confirmação oficial da saída do senador do país.
Quem está na reunião
Participam das conversas:
- Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL;
- Rogério Marinho (PL-RN), senador e coordenador da campanha presidencial de Flávio;
- Efraim Filho (PL-PB), senador, que também foi à sede do partido.
“Vamos reunir com Valdemar e entender todo o cenário.”
— Efraim Filho (PL-PB), ao chegar à sede do PL
A frase resume o clima. Segundo os relatos, a notícia surpreendeu parte do partido, e nem todos os dirigentes e aliados tinham sido informados da suposta viagem. A reunião serve para definir como o PL vai reagir.
A contradição de Marinho
Mais cedo, Rogério Marinho tinha negado ao Metrópoles que Flávio tivesse saído do país: “Não saiu”. Segundo o jornal O Tempo, porém, Marinho não tinha estado pessoalmente com o senador quando deu a declaração. Agora, ele participa da reunião convocada justamente por causa da suposta saída.
O que se sabe sobre a viagem
- A Polícia Federal (PF) apura se Flávio embarcou num voo para a Flórida, nos EUA.
- Segundo o texto-base desta matéria, uma fonte do governo americano afirmou que o senador estava a caminho dos EUA.
- Mais cedo, o empresário mexicano Simón Levy disse no X que Flávio chegou em segurança aos EUA e que o secretário de Estado Marco Rubio teria articulado a viagem. Ele não apresentou provas, e o Departamento de Estado não comentou.
- O governo da Argentina diz que não tem registro da entrada de Flávio no país.
- O trajeto não foi esclarecido oficialmente.
Descumpriu a ordem, mas não é foragido
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou Flávio entregar os passaportes à PF em até 24 horas e o proibiu de sair do país. O prazo terminou nesta terça sem a entrega, e a PF cancelou os passaportes.
A situação jurídica dele, por partes:
- Flávio descumpriu uma ordem judicial, porque não entregou os passaportes no prazo.
- Flávio não é foragido. “Foragido” é quem tem mandado de prisão e foge para não ser preso. Não há mandado de prisão contra ele.
- Se tiver saído do país, terá descumprido também a proibição de deixar o Brasil.
- Deputados do PT pediram a Moraes a prisão preventiva de Flávio e a inclusão do nome dele no alerta vermelho da Interpol. Até a publicação, não havia decisão sobre o pedido.
Flávio é investigado num inquérito no STF sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Ele não foi indiciado, denunciado nem condenado e nega irregularidades.
O outro lado
Até a publicação, nem Flávio Bolsonaro nem o PL se manifestaram oficialmente sobre a suposta viagem ou sobre o resultado da reunião. O Painel Político procurou o partido e a assessoria do senador e aguarda resposta.
Dois dias depois de perder a eleição para Lula por mais de 4,4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro deixou o próprio partido sem resposta. O PL sai das urnas como a maior bancada da história do Senado, com 29 cadeiras, e com Rogério Marinho lançado para presidir a Casa em fevereiro. Agora, precisa explicar onde está o candidato que tinha a missão de liderar a oposição. A reunião de emergência mostra que o desafio do partido vai além do jurídico. Se a saída se confirmar, o PL terá de decidir se defende Flávio como perseguido, como fez com Jair Bolsonaro, ou se se distancia para proteger a bancada e a disputa pelo comando do Senado.
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