"Quem mais fez mal": o que Henrique Prata disse sobre Fernando Máximo em 2022
Em vídeo de 2022, o presidente do Hospital de Amor de Rondônia detalhou acusações contra o então secretário de Saúde Fernando Máximo, incluindo recusa de verba federal e pedido à promotoria para reduzir valores — declarações que seguem sem resposta específica conhecida
📋 Em resumo ▾
- Em vídeo de 2022, Henrique Prata, presidente do Hospital de Amor (Hospital do Câncer) de Rondônia, detalhou acusações contra o então secretário estadual de Saúde, Fernando Máximo
- Prata afirma que os repasses do Estado acumulavam entre R$ 18 e 20 milhões de atraso, com meses inteiros sem pagamento, e que Máximo teria dito não haver dinheiro para pagar mais do que R$ 2 milhões
- A acusação mais grave: Prata alega que havia recursos federais disponíveis para ampliar o teto de atendimento do hospital — justificado pelo fato de a unidade atender o dobro do volume originalmente contratado —, e que Máximo recusou esse dinheiro
- Prata também afirma que Máximo foi à promotoria do Estado pedir a redução de um valor de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão, e que um ministro teria testemunhado isso a promotores
- Hoje, Fernando Máximo é candidato ao Senado por Rondônia (PL). Esta é uma republicação de arquivo; o Painel não localizou resposta específica e atual dele a essas acusações
Em 2022, durante a gestão de Fernando Máximo à frente da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau), o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, gravou um vídeo detalhando acusações graves contra o então secretário — material que vai além do que havia sido reportado inicialmente pela imprensa na época.
O que Prata afirma, segundo o vídeo
Prata abre a fala dizendo que "em nenhum momento nós sofremos tantas consequências maldosas" quanto na gestão de Fernando Máximo. Segundo ele, os repasses do Estado acumulavam entre R$ 18 e 20 milhões em atraso, com meses inteiros sem pagamento — ele cita especificamente abril, março e junho — e afirma que uma "diretriz" de manter pagamentos 100 dias atrasados "partiu da vontade do gestor doutor Fernando Máximo".
Segundo Prata, o secretário teria dito que o governo não tinha dinheiro para pagar mais do que R$ 2 milhões — valor que o próprio Prata não detalha se era mensal ou outra periodicidade, e que esta apuração não conseguiu confirmar de forma independente.
A acusação mais grave: recusa de dinheiro federal
O ponto mais sério do relato de Prata é este: segundo ele, diante do crescimento da demanda — ele cita uma curva que teria ido de "21 a Pax" (trecho de difícil compreensão no áudio) para 44 mil atendimentos —, a equipe do hospital teria conseguido viabilizar recursos do Governo Federal para aumentar o teto de atendimento da unidade, já que o Hospital de Amor estaria atendendo o dobro do volume contratado originalmente, "quando o Confúcio contratou o serviço". Segundo Prata, Fernando Máximo recusou esse dinheiro.
Prata afirma ainda que levou essa informação a promotores do Ministério Público estadual, e que um ministro (não identificado pelo nome na fala) teria testemunhado o episódio diretamente a esses promotores. Segundo o relato, Máximo teria ido à própria promotoria do Estado pedir que um valor fosse reduzido de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão.
É fundamental marcar o que está e o que não está confirmado aqui: tudo isso é relato de uma das partes, feito publicamente, em tom de denúncia e com linguagem emocionalmente carregada (Prata chega a dizer que Máximo foi "quem mais fez mal" ao hospital em 11 anos de história da unidade em Rondônia). Não há, no material disponível para esta apuração, confirmação documental independente de nenhum desses pontos — nem registro de que a promotoria tenha de fato recebido essa denúncia formalmente, nem identificação do "ministro" citado, nem resposta específica de Fernando Máximo às alegações de recusa de verba federal ou de ida à promotoria pedir redução de valores.
O que Máximo já havia explicado — um ponto diferente
Vale repetir a distinção já registrada: o governo confirmou, à época, o fim de um convênio específico (UTIs-Covid), e Máximo deu explicação pública sobre esse ponto, atribuindo a decisão à queda de casos de Covid-19 no estado. Essa explicação não aborda as acusações mais graves detalhadas no vídeo — recusa de verba federal e pedido de redução de valor à promotoria —, que permanecem sem resposta conhecida dele.
Por que isso está sendo republicado agora
Fernando Máximo deixou a Sesau em 2022 e se elegeu deputado federal naquele mesmo ano, como o mais votado do estado. Em 2026, é candidato a uma das duas vagas de senador por Rondônia pelo PL, com campanha apoiada fortemente em sua atuação como secretário de Saúde durante a pandemia — o mesmo período das acusações de Prata aqui relembradas.
Versão em áudio disponível no topo do post.