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Relatório PF Vorcaro: Ameaças a DJ da NBA e comandante de iate

Relatório da PF revela que grupo de Vorcaro forjou ofício à Interpol e ameaçou comandante de iate e ex-jogador da NBA

Relatório PF Vorcaro: Ameaças a DJ da NBA e comandante de iate
📷 Reprodução
📋 Em resumo
  • Milícia Particular: Relatório da Polícia Federal (PF) detalha como a "Turma" de Daniel Vorcaro infiltrou órgãos públicos para obter dados sigilosos e forjar inquéritos.
  • Alvo na NBA: O ex-banqueiro planejava investir R$ 10 milhões para forjar um flagrante de drogas contra Ronald Fred Seikaly, ex-marido de sua namorada.
  • Terror no Iate: O comandante Luis Felipe Woyceichoski e o chefe Leandro Garcia foram ameaçados por paramilitares após filmarem situações no iate Solar I.
  • Decisão do STF: O documento foi tornado público pelo ministro André Mendonça e expõe a estrutura de uma quadrilha que sequestrou o Estado.
  • Por que isso importa: A revelação de que o Banco Master operava com um braço armado capaz de forjar documentos da Interpol redefine a gravidade institucional do escândalo
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Um relatório da Polícia Federal (PF) tornado público pelo Supremo Tribunal Federal (STF) expõe a estrutura paramilitar de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro usou sua milícia para forjar inquéritos, perseguir um ex-jogador da NBA e aterrorizar a tripulação de seu iate, revelando que o escândalo do Banco Master vai muito além de fraudes financeiras.

O documento, tornado público nesta terça-feira (16) por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, detalha como a organização de Vorcaro operava nas sombras para silenciar desafetos e proteger seus segredos.

A infiltração em órgãos públicos e o ofício falso à Interpol

O relatório da PF qualifica o grupo "A Turma" como uma verdadeira "quadrilha". Segundo os investigadores, a organização se infiltrou em companhias telefônicas, órgãos da Justiça, do Ministério Público e da própria polícia. O objetivo era obter dados cadastrais, alvarás de monitoramento telefônico e informações sobre inquéritos criminais.

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A audácia do grupo chegou ao nível de forjar documentos internacionais. A PF apura que a quadrilha de Vorcaro elaborou um ofício falso do Ministério Público Federal (MPF) endereçado à Interpol. O documento citava um suposto inquérito da PF em Roraima sobre pedofilia, que nada tinha a ver com o alvo ou com a realidade dos fatos.

A PF afirma que não conseguiu identificar "o amigo da Interpol" mencionado por Vorcaro, nem se o ofício falso chegou a ser enviado à polícia internacional. No entanto, a simples tentativa de manipular um órgão global de segurança demonstra o nível de delírio de grandeza da organização.

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O ex-NBA Ronald Fred Seikaly e Martha Graeff — Foto: Reprodução

A vingança contra o DJ da NBA e o plano de R$ 10 milhões

Um dos alvos da fúria de Vorcaro foi Ronald Fred Seikaly, ex-jogador de basquete e DJ libanês, ex-marido da influenciadora Martha Graeff. Seikaly, de 61 anos, jogou na NBA por 11 anos e tem uma filha com a brasileira.

Em outubro de 2024, Vorcaro ordenou que a "Turma" — então comandada por Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", que se matou após ser preso pela PF em Belo Horizonte — contratasse pessoal para seguir Seikaly em Miami.

O plano era atrair o DJ para o Rio de Janeiro para "ameaçá-lo e intimidá-lo pela milícia e polícia". A motivação era uma suposta desavença entre Seikaly e um dos filhos do ex-banqueiro. Vorcaro afirmou que queria que o DJ "aprendesse que com seu filho não se mexe" e que "seria interessante dar um pulão nele" ao chegar ao Brasil.

Mais impressionante que a violência física foi o plano financeiro da retaliação. Vorcaro chegou a afirmar que investiria R$ 10 milhões em uma ação para forjar um flagrante de apreensão de drogas contra Seikaly, com o objetivo de "dar uma lição" no ex-marido de sua então namorada.

O terror no iate Solar I e a fuga de Angra dos Reis

A "Turma" também foi acionada para silenciar quem presenciava os bastidores da vida de Vorcaro. O comandante do iate Solar I, Luis Felipe Woyceichoski, e o chefe de cozinha Leandro Garcia foram perseguidos por terem filmado situações comprometedoras na embarcação.

Em junho de 2024, um grupo de sete homens, vestidos como paramilitares com calça preta e coturno, chegou à Marina Bracuhy, em Angra dos Reis, em três veículos. O alvo era o comandante Woyceichoski.

"Sete milicianos, estou com as filmagens do barco, eles estiveram aqui, foram no meu condomínio. Me ameaçaram de morte. A mim e a minha família", relatou o comandante à PF. Ele explicou que realizava registros de imagem e anotava em seu diário de bordo situações que colocavam em risco a integridade da embarcação.

A intimidação foi explícita. Um dos integrantes do grupo disse que "mexia com jogo do bicho" e que poderia chegar na casa do comandante com armas, pois "sabia que sua mulher e filhos estavam lá". Diante do cenário, Woyceichoski precisou "sair corrido" de Angra dos Reis com sua família, abandonando pertences pessoais dentro do apartamento.

"O Banco Master não era apenas uma instituição financeira em colapso; era a fachada de uma organização que sequestrava o Estado para financiar vinganças pessoais e proteger seus segredos."

O STF e a radiografia de uma quadrilha de colarinho branco

A decisão do ministro André Mendonça de tornar o relatório público coloca em evidência a sofisticação da criminalidade que operava no entorno do ex-banqueiro. A determinação de Vorcaro para fazer um "levantamento de tudo" sobre as famílias de seus funcionários e "ir pra cima" revela uma mentalidade de senhor feudal, onde a vida alheia é subordinada aos seus caprichos.

A presença de "Sicário" nas ações de intimidação no hotel onde Leandro Garcia trabalhava, após o chefe pedir demissão, mostra que a "Turma" não respeitava fronteiras geográficas ou institucionais. A quadrilha operava com a naturalidade de quem sabe que o dinheiro do Master comprava o silêncio e o medo.

Cenário: O Estado sequestrado pelo Banco Master

A revelação de que Vorcaro tentou forjar um inquérito de pedofilia na Interpol e planejava gastar R$ 10 milhões para destruir a vida de um ex-jogador da NBA não é apenas um capítulo de criminalidade comum. É a prova de que o poder econômico do Banco Master havia corrompido a própria noção de Estado.

A "Turma" não era apenas um grupo de capangas; era um braço de inteligência e coerção que operava dentro das engrenagens do sistema de Justiça. Resta saber quantos outros ofícios falsos circularam pelos corredores dos tribunais brasileiros antes que a PF conseguisse desmontar o império de Vorcaro. A resposta a essa pergunta definirá se o Brasil está preparado para enfrentar as organizações criminosas de colarinho branco que aprenderam a usar a própria lei como arma.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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