Votos de Lula em Rondônia não migram para Daniel Pereira; partido tem o mesmo patamar de sempre
Via Painel Político

O Partido dos Trabalhadores em Rondônia sempre teve em torno de 27 a 30% das intenções de votos nas eleições, e isso, de acordo com sondagem do IPEC divulgada na última quarta-feira, não mudou. O candidato à presidência da república, Lula da Silva, deverá ter 27% do eleitorado no Estado. Mas, Daniel Pereira (SD) que tem como vice o ex-deputado federal Anselmo de Jesus (PT) pontuou 2%, ou seja, os votos de Lula não migraram. Ao menos na sondagem. E isso é motivado por uma série de fatores.
Um deles é a falta de um candidato forte ao senado. O grupo optou pela candidatura de Acir Gurgacz, um fetiche antigo de Daniel Pereira que o impediu de ser candidato ao governo (com chances reais de vencer) em 2018. Na época, Pereira era governador, havia assumido com a renúncia de Confúcio e todo o cenário favorecia a reeleição de Daniel Pereira, que alegou na época, ‘ter um compromisso’ com Gurgacz. O resultado foi que Daniel ficou fora e Gurgacz seria preso dias depois por ordem do STF.
Jesualdo Pires era o candidato natural ao senado por esse grupo, e teria grandes chances de estar muito bem posicionado, mas ele desistiu e até ensaiou disputar uma vaga na Câmara Federal, desistindo em seguida.
Outro fator que atrapalha Daniel é que o PT governou Porto Velho, por dois desastrosos mandatos consecutivos, que terminou em desastre, com prisões, escândalos em série e desgaste em um nível difícil de recuperar. O ex-prefeito da capital teve o melhor cenário da história de Porto Velho, muito dinheiro, nenhum planejamento ou competência administrativa que resultaram em fiasco. E os moradores lembram bem das obras paradas por anos, e as mal feitas que foram concluídas.
Há que se levar em consideração o fato de que nesta sexta-feira a campanha começa, de fato, em rádios e TVs e os números podem mudar, mas não tanto assim. A reação de Daniel Pereira vai depender muito mais do carisma de Lula que do histórico do PT local. Além do mais, temos a atipicidade do momento, em uma polarização nacional que não está se repetindo no cenário local, muito em função da memória recente dessa desastrosa ex-gestão municipal.
Na minha modesta opinião esse grupo que lançou a candidatura de Pereira ao governo errou feio. Para vencer uma batalha, por vezes é preciso recuar para avançar. O grupo deveria focar em candidaturas à Assembleia Legislativa, e um bom nome a Câmara federal e Senado para aumentar a representatividade. Está ainda mais enfraquecido com o vai e vem de Gurgacz, o milionário que insiste em ser político mesmo estando totalmente desgastado após prisão e tentativas judiciais fracassadas para manter a elegibilidade.
Rondônia precisa de bons deputados estaduais e de uma representação competente no Congresso. Infelizmente o nível tem caído absurdamente desde as primeiras legislaturas. Nem mesmo o tapão de Nobel Moura em Raquel Cândido ou a prisão do irmão de Jabes Rabelo por tráfico causaram tantos estragos à imagem do Estado que alguns dos atuais representantes em Brasília.
Mas a esquerda regional sofre com a mania de grandeza e prefere apostar no duvidoso ao certo.
*Pesquisa citada no artigo:
A pesquisa do IPEC contratada pela Rede Amazônica ouviu 800 pessoas entre os dias 21 e 23 de agosto em 26 cidades rondonienses. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RO-08675/2022.
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