Caso Naskar: MP foca em rastrear dinheiro sumido
Promotor anuncia pedido de prisão preventiva e estratégia de seguir o dinheiro. Esquema causou prejuízo de R$ 900 milhões a milhares de investidores
📋 Em resumo ▾
- Ministério Público do DF deve pedir prisão preventiva dos sócios da Naskar.
- Estratégia central da investigação é rastrear o destino dos recursos desviados.
- Ex-sócio de 26 anos transferiu empresa para avó de 77 anos e ostenta em Dubai.
- Por que isso importa: A ação visa bloquear ativos para ressarcir vítimas e desmantelar a blindagem patrimonial do esquema.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deve pedir, nos próximos dias, a prisão preventiva dos investigados no caso da Naskar Gestão de Ativos. O promotor Paulo Roberto Binicheski confirmou que o foco agora é rastrear o destino dos recursos, em um esquema que causou prejuízo superior a R$ 900 milhões a cerca de 3 mil investidores.
A estratégia de seguir o dinheiro
A declaração do promotor Paulo Roberto Binicheski antecipa o próximo movimento do MPDFT após a prisão dos empresários Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em São Paulo.
A empresa atuou por cerca de 13 anos prometendo rentabilidade de 2% ao mês, índice muito acima do praticado pelo mercado. A interrupção dos pagamentos em maio deste ano, seguida pelo sumiço do aplicativo e o bloqueio de resgates, configurou o estelionato.
"Em breve, devemos requerer a prisão preventiva dos investigados. Também vamos envidar todos os recursos necessários para seguir o dinheiro, o chamado follow the money", afirmou o promotor.
A farsa societária e a ostentação em Dubai
A investigação já mapeou tentativas claras de blindagem patrimonial. O ex-sócio Douglas Silva de Oliveira, de 26 anos, assumiu formalmente o controle da Naskar após a saída dos antigos proprietários.
Dias depois, ele transferiu a totalidade das quotas para sua avó materna, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos, moradora de Uberlândia. Antes disso, a empresa havia divulgado um comunicado falso sobre uma venda de R$ 1,2 bilhão para uma gestora norte-americana chamada Azara.
Os registros da Junta Comercial de São Paulo mostram que o comprador formal foi o próprio Douglas, que declarava renda mensal de R$ 1,8 mil e havia alterado oficialmente seu sobrenome para "Azara" meses antes. Atualmente em Dubai, ele ostenta nas redes sociais um McLaren Artura avaliado em até R$ 3 milhões.
O cerco aos ativos e o ressarcimento
Com a promessa de aplicar a metodologia de rastreamento financeiro, a expectativa é que a próxima fase da investigação foque na identificação dos bens adquiridos com os valores captados.
O objetivo final não é apenas a punição criminal, mas a localização de ativos que possam ser bloqueados para eventual ressarcimento das milhares de vítimas lesadas pelo esquema.
O cinismo corporativo e a lição jurídica
A fraude da Naskar não é apenas um crime financeiro comum; é um manual de como a ficção jurídica é usada para escudar o enriquecimento ilícito. Transferir uma empresa bilionária para uma senhora de 77 anos, enquanto o beneficiário real ostenta luxo no exterior, é a materialização do cinismo corporativo.
Resta uma reflexão socrática para o sistema de justiça: se a estrutura legal permite que uma dívida colossal seja "herdada" por uma avó no interior de Minas, enquanto os verdadeiros beneficiários gastam milhões em Dubai, quem de fato está sendo protegido pela lei? A recuperação dos ativos dependerá da capacidade do MPDFT de furar essa fachada societária e atingir o núcleo do patrimônio oculto.
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