Análise & Opinião

Coluna - Alcolumbre “joga água no chopp” dos radicais do Congresso

Senado não vai embarcar nas pautas extremistas; Assembleia de SC vai ter representação em Brasília; Camargo questiona ICMS do gado

📋 Em resumo ▾
  • Deputado estadual catarinense Ivan Naatz (PL) visitou o escritório de representação do Legislativo de Rondônia em Brasília e anunciou que Santa Catarina vai abrir estrutura semelhante em 2027.
  • O deputado Delegado Camargo (Podemos) cobrou explicações do governo de Rondônia sobre a atualização da pauta fiscal do ICMS do gado, em vigor desde 1º de novembro.
  • O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, criticou publicamente pautas defendidas por senadores de direita, em discurso que repercutiu nas redes.
  • Nos EUA, James Talarico (democrata) venceu a disputa pela cadeira de senador pelo Texas, hoje ocupada pelo republicano John Cornyn.
  • Por que isso importa: o recado de Alcolumbre chega direto à nova bancada de Rondônia no Senado, que passa a ter três nomes a partir de 2027.
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Santa Catarina

Nesta quinta-feira, recebemos no escritório de representação do Poder Legislativo de Rondônia em Brasília o deputado estadual catarinense Ivan Naatz (PL). Ele visitou as instalações do escritório para conhecer e comunicar que o legislativo estadual de Santa Catarina aprovou, e começa a operar em 2027, o escritório de representação nos mesmos moldes de Rondônia. E já anunciou que a interação entre os estados vai ajudar a ambos: “é muito importante essa representação, tanto para os parlamentares quanto para a população em geral, já que a partir desse escritório a gente consegue ampliar as relações, trocar informações e experiências e, claro, apresentar para empresas o potencial de cada região”. Naatz teve 35.606 votos e ficou como primeiro suplente na legenda.

ICMS do gado

O deputado estadual Delegado Camargo (Podemos) se posicionou contra a atualização da pauta fiscal dos bovinos em Rondônia e apresentou um requerimento na Assembleia Legislativa cobrando explicações do governo do estado sobre os novos valores de referência utilizados no cálculo do ICMS. A mudança nos valores foi publicada em 29 de outubro e está em vigor desde 1º de novembro. Para Camargo, “a atualização é preocupante e precisa ser revista diante dos possíveis reflexos sobre os custos tributários da atividade pecuária”. O agora vice-governador eleito questiona os critérios utilizados pelo atual governo e cobrou transparência sobre os estudos que fundamentaram os novos valores. O deputado também quer saber se foram realizados levantamentos junto a frigoríficos, produtores rurais e entidades representativas do setor. E ele está certo. Tem mesmo que rever esse aumento.

Coberto de razão

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez, na sessão da última quarta-feira, duras críticas às pautas defendidas pelos senadores da direita e ainda afirmou que “infelizmente muitos foram eleitos”. O senador referiu-se a discursos que não contribuem em nada com os avanços e melhorias que os brasileiros, de um modo geral, querem do Congresso: modernização e investimentos em saúde, educação e segurança. O estopim da fala se deveu ao embate sobre a redução da maioridade penal, que o presidente Lula já sinalizou que deve ser discutida para abranger casos graves envolvendo jovens. Alcolumbre emendou afirmando que muitos “se promoveram, ganharam a eleição, ofendendo e agredindo as pessoas”, ao invés de defenderem a criação de universidades e institutos federais para suas regiões.

Carapuça serviu

O recado de Alcolumbre, que você confere na íntegra no vídeo abaixo, serviu como uma luva para grande parte dos eleitores de Rondônia, que agora em 2026 elegeram dois senadores, Fernando Máximo e Bruno Scheidt, que se juntam a Jaime Bagatoli a partir de 2027, compondo a bancada rondoniense. Nada contra quem votou na dupla, mas é preciso dar um basta a essas pautas que realmente não contribuem em nada para o desenvolvimento do país. Evidente que temos falhas que precisam ser corrigidas, mas não é através de processos traumáticos para a democracia, como impeachment de ministros da Suprema Corte ou banheiros unissex. Desejo sinceramente que esses novos parlamentares reflitam sobre o momento que o mundo atravessa, com crises gravíssimas provocadas exatamente por conta de atitudes antidemocráticas.

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Mudanças

A sociedade, como um todo — e não me refiro apenas ao Brasil —, quer mudanças estratégicas e ajustes nos modelos atuais de poder. A reeleição de Lula, a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato, o caos europeu e até mesmo a freada que Israel está dando em Netanyahu (que, ao que tudo indica, perdeu por lá) demonstram que a polarização, o discurso de ódio e as pautas amalucadas já encheram o saco. Precisamos de políticos realmente preocupados e comprometidos com a população como um todo, e não apenas com determinados segmentos. Alcolumbre não é nenhum exemplo de estadista, mas sua fala reverberou e repercutiu com força nesta quinta-feira em todas as redes. Sinal que, ao menos nesse ponto, ele está coberto de razão.

Sobre a radicalização

Evidente que tem coisas que tiram qualquer um do sério, ainda mais quem trabalha pesado no dia a dia, paga impostos, luta pela sobrevivência — e de repente descobre que ministros da Suprema Corte andam envolvidos em situações escandalosas, como contratos milionários, surubas e prostitutas pagas com dinheiro roubado dos contribuintes, e a impunidade que cerca os poderosos. Mas existem mecanismos legais que precisam ser aprimorados. A questão do STF é gravíssima (apesar do assunto ter esfriado) e é sim necessário que se discuta o afastamento de ministros enquanto acontecem as investigações (que precisam ser céleres). Mas daí a achar que medidas extremas resolvem questões complexas, é ignorar a história e subestimar a inteligência.

É fascinante

“O fascismo é fascinante e deixa a gente ignorante, fascinada.”

Como diria Humberto Gessinger, essa frase resume exatamente o simplismo de achar que basta tocar fogo que tudo resolve. Não é assim. Os poderes existem para o contraditório, os contrapesos, o debate e, por fim, a solução que realmente resolve. Não são processos simples — as grandes mudanças levam décadas, por vezes séculos —, mas a sociedade se aprimora, melhora, desenvolve. E para isso acontecer, é necessário educação, conhecimento aprofundado, e não apenas frases recortadas em redes sociais. Um dia, espero que não tão distante, tenhamos uma sociedade justa. Mas agradar a todos, isso não existe.

E o Paraguai, hein?

Do banco à queda do presidente. O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank — instituição digital com cerca de 2,9 milhões de clientes e US$ 850 milhões em depósitos — após constatar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido por lei. O presidente Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador do banco até o ano passado, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5/11) em pronunciamento gravado, horas depois de 35 deputados protocolarem um pedido de impeachment contra ele e o vice-presidente Pedro Alliana, com base no artigo 225 da Constituição paraguaia.

Manobra

A renúncia não encerrou o caso. A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade (78 votos), seguir com o impeachment mesmo após o anúncio de Peña — e deputados do próprio partido do presidente (Colorado) esvaziaram o quórum da sessão que decidiria aceitar ou rejeitar a renúncia. O motivo: se o Congresso aceitar a renúncia, Peña assume automaticamente uma cadeira de senador vitalício, com foro privilegiado, o que dificultaria sua responsabilização judicial — só a condenação no impeachment afasta esse privilégio. Em paralelo, a Justiça paraguaia já age: o juiz Rodrigo Estigarribia enviou seis ex-diretores do Ueno Bank à prisão preventiva — entre eles o ex-CEO Federico Vázquez Villasanti e o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale — e determinou prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica para outras duas ex-diretoras. Ao todo, a Promotoria imputou 27 pessoas no caso.

O sonho acabou

O Paraguai era apontado por influencers de direita e “mentores de economia”, como a grande esperança para quem não quer pagar impostos. Por conta disso, uma multidão de brasileiros resolveu migrar, mas a realidade é dura. 16% da população vive em situação de pobreza, é um país pequeno, com pouco mais de 7 milhões de habitantes e com custo de vida alto. Pior, muitos abriram contas no Ueno Bank e agora estão com o dinheiro retido. O Brasil tem problemas, mas aqui é nossa casa. País nenhum gosta de imigrantes pobres ou que vão “aventurar”. Melhor ser pobre por aqui, onde tem SUS, Minha Casa Minha Vida e políticas públicas consolidadas que ir para o Paraguai atrás de emprego. Mais de 60% dos trabalhadores paraguaios vivem na informalidade. Dados de 2026.

Fugiu?

Em meio à crise, surgiu um novo capítulo de incerteza: parlamentares da oposição paraguaia afirmaram que Peña teria deixado o país. A deputada Johana Ortega pediu explicações ao Congresso sobre uma eventual saída do presidente, dizendo que diferentes meios já davam como certo que ele tinha pisado em solo argentino, e o senador Antonio Rubén Velázquez disse que Peña teria ido para a Argentina e, segundo ele, pedido asilo ao presidente Javier Milei. A especulação ganhou força depois que a MDZ confirmou a chegada de ao menos um voo privado vindo de Assunção a Mendoza nesta quinta-feira, sem, no entanto, confirmar quem estava a bordo. Do outro lado, duas negativas oficiais: a Casa Rosada afirmou não ter nenhum registro de que Peña estivesse na Argentina, e o porta-voz da Presidência paraguaia, Guillermo Grance, disse que Santiago Peña permanece no país e não viajou para a Argentina. Até o momento, não há confirmação oficial — nem da Direção de Migrações argentina, nem do governo paraguaio — de que Peña tenha realmente deixado o território nacional.

Uma Argentina que já fez esse teatro antes

A negativa da Casa Rosada soa familiar a quem acompanhou o caso Flávio Bolsonaro. Na semana passada, o governo argentino negou ter ajudado o senador a deixar o Brasil, afirmando que sua entrada no país ocorreu dentro dos procedimentos migratórios regulares, e o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, chegou a classificar o possível envolvimento de Milei como “irrelevante”. Poucos dias depois, o próprio New York Times revelou que Santiago Caputo, assessor de Milei, mandou um policial apagar vídeos gravados durante a fuga de Flávio, e teria participado da organização da viagem, incluindo a agilização de documentação da família — uma atuação que indica participação direta de integrantes do círculo de Milei na operação, embora o governo argentino e o próprio Caputo neguem envolvimento. Não é a primeira vez que Buenos Aires nega qualquer papel num caso de fuga política latino-americana e, depois, a reportagem internacional mostra outra versão. Isso não confirma que Peña esteja de fato na Argentina — até agora, não está —, mas explica por que a desconfiança da oposição paraguaia não é gratuita

Língua portuguesa

Nos EUA, os democratas deram um baile em Trump. Entre os eleitos, uma surpresa: o Texas, um dos estados mais conservadores, elegeu James Talarico para o Senado, e ele vai ocupar a cadeira do republicano John Cornyn. O Cornyn sai e o Talarico entra…

Contatos com a coluna: alan.alex@painelpolitico.com

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