Dívida de Hildon com ex-advogado seria de R$ 6 milhões, dizem fontes
A coluna traz a cobrança milionária que pode levar o ex-prefeito aos tribunais, os nomes cotados para o governo Marcos Rogério e o pedágio caro de uma BR-364 que segue matando
📋 Em resumo ▾
- Pessoas próximas ao caso dizem que a dívida de Hildon Chaves com o advogado Bruno Valverde seria de cerca de R$ 6 milhões, e não só os R$ 278 mil protestados.
- Nomes cotados para o secretariado de Marcos Rogério, que ainda não foram confirmados.
- Massud Badra deixa a Seduc depois de pouco mais de sete meses.
- O carro paga R$ 144,80 em pedágios entre Porto Velho e Vilhena, e os acidentes na BR-364 subiram 43%.
- Por que importa: a transição de governo, a cobrança contra um ex-prefeito e a segurança na principal rodovia do estado afetam diretamente o leitor de Rondônia.
Veja ainda: quem pode assumir o quê no novo governo de Marcos Rogério e as mortes na BR-364 depois da concessão
Vai dar ruim
Pessoas que conhecem o caso da cobrança feita pelo advogado Bruno Valverde, ex-braço direito de Hildon Chaves, relataram à coluna que o valor protestado, pouco mais de R$ 278 mil, seria apenas uma fração da dívida. O total chegaria a cerca de R$ 6 milhões. O caso estaria prestes a ser judicializado e, se chegar aos tribunais, pode render uma tremenda dor de cabeça ao ex-prefeito de Porto Velho. Isso porque Valverde foi, por vários anos, o responsável por quase tudo na vida de Chaves. Segundo o interlocutor, Valverde teria feito diversas propostas amigáveis, e todas foram recusadas com a mesma resposta: “vai ser pago, mas estamos resolvendo uma situação primeiro”.
O resultado
Segundo a mesma fonte, o advogado estaria perdendo a paciência com o ex-aliado, e a situação tende a escalar, tanto nos tribunais quanto nas relações pessoais. O interlocutor afirmou ainda que há muita coisa para vir à tona e que há uma torcida grande, inclusive de adversários, para que o caso vá mesmo parar na Justiça. A coluna tentou contato com Bruno Valverde nesta quarta-feira (28), mas não teve retorno. O espaço está aberto.
“Rolos” e suspeitas
A mesma fonte descreveu Valverde como uma “bomba-relógio” ambulante, que estaria “terrivelmente chateado” com a situação. Se o caso for à Justiça, ele teria capacidade de criar várias situações, digamos, desconfortáveis para o ex-prefeito, que disputou o governo de Rondônia e ficou em quarto lugar. “Valverde sabe de coisas que, se vierem à tona, podem provocar um verdadeiro ‘terremoto’, incluindo questões sobre o contrato de lixo de Porto Velho, a construção da rodoviária, a compra de uniformes escolares e outras situações”, declarou o interlocutor, sem apresentar documentos. Hildon Chaves passada a eleição, tirou um tempo para cuidar de assuntos pessoais. O espaço está aberto para o ex-prefeito.
Governo novo
O governador eleito Marcos Rogério (PL) já está definindo os nomes dos futuros secretários. Segundo pessoas próximas à equipe de transição, alguns já estariam escolhidos:
- Marco Aurélio Blaz Vasquez: Saúde;
- Edemir Monteiro Brasil Neto, que ajudou a elaborar o plano de governo: Planejamento;
- Ludmila Lucas Tavares, que acompanha Marcos Rogério no Senado: Comunicação;
- Walter Silvano: Escritório de Representação do governo em Brasília;
- Diego Muniz, atual diretor do DER: deve permanecer no cargo;
- delegado Rodrigo Camargo, vice-governador eleito: cotado para a Segurança Pública;
- José Eduardo Guidi, que já está na equipe de transição: deve compor a equipe.
Mas atenção
Essa lista não é oficial, e Rogério não confirmou os nomes. Tem muita gente se mexendo em busca de uma vaga no novo governo, mas os espaços ainda estão sendo definidos. Como relatei na coluna passada, Lúcio Mosquini, que coordena a transição, disse ao Rondoniagora que fará um amplo corte de gastos na máquina pública, reduzindo cargos de confiança, contratos e despesas com passagens e diárias. Ele também vai criar uma força-tarefa, o chamado Gabinete de Crise na Saúde, para reduzir as filas de exames e cirurgias nos primeiros 100 dias.
Cortando
A proposta do novo governo é cortar o que for possível e melhorar o que já existe, para investir na otimização dos recursos.
Institucional
Marcos Rogério esteve com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, um de seus principais apoiadores na eleição, para tratar de assuntos da capital. Entre eles, a segurança pública, que é o calcanhar de Aquiles da cidade, por causa da onda de furtos e do avanço das facções criminosas que dominam alguns pontos da capital. Trataram ainda sobre o João Paulo II e investimentos a serem feitos em Porto Velho a partir de 2027.
Mudança
Na terça-feira (27), o ainda governador Marcos Rocha exonerou o secretário de Educação, Massud Badra, que ficou pouco mais de sete meses no cargo, e nomeou o cabo da PM Alisson Antônio Maia de Souza. Quando assumiu, Massud foi muito elogiado pela competência e pelo bom relacionamento com os Poderes. Segundo rumores, a saída se deve a questionamentos do Tribunal de Contas do Estado sobre alguns contratos vultosos da Seduc. A coluna não conseguiu ouvir o ex-secretário. Badra foi assessor-chefe de Comunicação e Marketing do Tribunal de Contas de Rondônia entre 2020 e 2022, assessor de Planejamento e Gestão do Ministério Público do Estado e chefe de gabinete da Prefeitura de Guajará-Mirim antes de assumir a Educação.
E a tal “Nova 364”?
Quem vai de carro de Porto Velho a Vilhena gasta R$ 144,80 em pedágios na BR-364. A concessão começou a ser discutida ainda na pandemia, em audiências públicas das quais nenhum deputado ou senador participou. Depois, a rodovia foi entregue a um consórcio com promessas de reduzir mortes, já que ela é uma das mais letais do país, e de investir mais de R$ 10 bilhões. Mas a rodovia continua matando. Na madrugada desta quarta-feira (28), um acidente gravíssimo no trecho entre Pimenta Bueno e Vilhena matou um motorista, que morreu carbonizado depois de ficar preso nas ferragens.
Só em 2026
Mais de 1.200 acidentes foram registrados na BR-364 em 2026. De janeiro a julho, foram 895, com mais de mil feridos e 53 mortes, uma média de uma morte a cada quatro dias. Segundo a PRF, houve aumento de 43% em relação ao mesmo período de 2025: 757 ocorrências contra 528. Só em agosto, 19 pessoas morreram na rodovia. Pelas promessas, esses números deveriam ter caído, e não subido.
Em outras palavras
Os motoristas agora pagam um dos pedágios mais caros do país, e as pessoas continuam morrendo.
Ressaca
Passada a eleição, estamos assistindo a um verdadeiro “show de horrores” promovido por apoiadores de Flávio Bolsonaro, que está em Miami, muito “preocupado”, com ataques de todo tipo a eleitores de Lula. Em várias cidades, circulam listas de estabelecimentos que supostamente pertencem a “petistas”. Nas redes sociais, insatisfeitos começaram a atacar pessoas e empresas, e alguns empresários falam em “demitir petistas”. Pois bem: só nos dois primeiros dias depois do 2º turno, o Ministério Público do Trabalho recebeu mais de 500 denúncias de assédio eleitoral, e promete apurar cada uma delas. Os resultados certamente serão desastrosos para quem embarcou nessa corrente.
Eleição tem a cada quatro anos, e perder amizades ou familiares por pessoas que sequer sabem que você existe é de uma burrice sem tamanho.
8 de janeiro
Para quem esqueceu as consequências do 8 de janeiro de 2023, vale lembrar que centenas de pessoas estão presas ou respondendo criminalmente pela depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. A conta fica para quem cai nessa conversa. Eleição tem a cada quatro anos, e perder amizades ou familiares por pessoas que sequer sabem que você existe é de uma burrice sem tamanho. Portanto, se você anda pensando em se manifestar usando esses artifícios, LEIA ISSO para saber quais são as consequências desse tipo de atitude. Depois não adianta sair gritando que “vive numa ditadura”. Até porque, se vivêssemos mesmo numa, a pessoa não seria processada: ela simplesmente desapareceria.
Contatos com a coluna: alan.alex@painelpolitico.com
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