Análise & Opinião

Coluna - Hildon na mira de ex-advogado, Gavioli no Paraná e o PL sem rumo

A coluna volta com a cobrança de honorários a Hildon Chaves, nomes para o governo Marcos Rogério, as listas de ódio em Rondônia e o estrago da saída de Flávio para o PL

Coluna - Hildon na mira de ex-advogado, Gavioli no Paraná e o PL sem rumo
📷 Painel Político
📋 Em resumo ▾
  • O advogado Bruno Valverde cobra R$ 278.731,34 em honorários do ex-prefeito Hildon Chaves.
  • Fátima Gavioli, ex-secretária de Educação de Rondônia, vai comandar a Educação do Paraná.
  • Lúcio Mosquini e Marcelo Barrozo aparecem como nomes para o governo Marcos Rogério.
  • Listas de boicote e o corte de ações solidárias mostram o clima pós-eleição em Rondônia.
  • Por que isso importa: a saída de Flávio do país desarticulou o PL logo depois da eleição, e os efeitos já aparecem na disputa pelo comando do Senado.
  • Veja também: a crise aberta com a saída de Flávio para os EUA e os reflexos no futuro da direita brasileira.
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Ex-amigos

O advogado Bruno Valverde, que foi contratado pelo ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, está cobrando R$ 278.731,34 em honorários não pagos. O caso veio a público depois da publicação do protesto, por edital. Perguntado se se tratava de fato de uma dívida ou de um mal-entendido, Valverde respondeu: “Aí só ele pode responder”.

Reconhecimento

A ex-secretária de Educação de Rondônia Fátima Gavioli, que passou quase oito anos comandando a pasta em Goiás no governo de Ronaldo Caiado, vai assumir a Educação do Paraná. Gavioli aceitou o convite do governador eleito, Sergio Moro. Ela é competente, e a história dela comprova isso. Pena que Rondônia não a valorizou. Em Goiás, ela fez uma revolução na educação.

Consolidou

O advogado Nelson Canedo se tornou um dos nomes mais disputados nas eleições em Rondônia. Com uma carreira focada, ele se especializou no assunto e vem colecionando vitórias a cada eleição. Foi responsável pela vitória arrasadora de Léo Moraes para a Prefeitura de Porto Velho e, por último, pela de Marcos Rogério, eleito governador no primeiro turno.

Escolha acertada

O deputado federal Lúcio Mosquini, que assumiu o comando da transição entre os governos dos dois Marcos (Rocha e Rogério), foi de fato uma escolha inteligente. Mosquini foi diretor do DER e de Obras no governo de Confúcio Moura, foi o responsável pela conclusão do Palácio Rio Madeira e conhece como poucos a máquina administrativa estadual. Do alto de seus mais de 158 mil votos, é um nome relevante no cenário. Apesar de ter embarcado no Titanic bolsonarista nos últimos tempos, é uma pessoa moderada e bem articulada. Seria um grande nome para a Casa Civil de Marcos Rogério, dada a sua excelente relação com os deputados estaduais.

Merece ser avaliado

Outro nome que poderia ser convocado por Marcos Rogério é o do advogado Marcelo Barrozo, atual assessor do senador Jaime Bagattoli. Barrozo vem conquistando espaço na advocacia eleitoral e é bem-quisto em todas as rodas de conversa.

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Lista do ódio

Começaram a circular em grupos de WhatsApp de Rondônia listas de estabelecimentos cujos proprietários teriam votado em Lula no último domingo. Vários estabelecimentos também passaram a anunciar em seus perfis nas redes sociais que estão “cancelando ações solidárias”, como doações de brinquedos e cestas básicas, alegando que os que “se dizem necessitados” devem recorrer aos auxílios do governo federal.

Maus perdedores

O bolsonarismo conseguiu sequestrar a direita e passou a promover o ódio entre os brasileiros. Defender as pautas da direita (que não são muitas) não significa que a pessoa precise, obrigatoriamente, aturar as alucinações bolsonaristas. A família que chegou ao poder em 2018, numa eleição em que a mentira imperou impunemente, provocou profundas transformações sociais no país. Para quem tem memória curta, ou gosta de se fazer de doido, vale relembrar: bolsonaristas tentaram explodir uma bomba perto do aeroporto de Brasília, um dos mais movimentados do país, em plena véspera de Natal, e o plano só não deu certo por incompetência. Tivemos ainda um bando de lunáticos que se autointitulavam “os 300 do Brasil” desfilando com tochas nas ruas da capital federal. E nem vou me estender, porque “basta dar um Google” para relembrar.

Defender as pautas da direita não significa que a pessoa precise, obrigatoriamente, aturar as alucinações bolsonaristas.

Os reflexos

Sentimos os efeitos até hoje, em exemplos como esses: listas de ódio e boicote a ações sociais. Realmente, vai levar muito tempo para que a tão sonhada “pacificação” aconteça.

Um bom começo

Seria Lula unir esforços com o Congresso para pressionar pela investigação e pelo afastamento de todos os ministros do Supremo citados nas apurações sobre Daniel Vorcaro, de Nunes Marques a Alexandre de Moraes, passando por André Mendonça e Dias Toffoli. Os quatro aparecem em mensagens e relatórios da PF sobre o caso Master, embora nenhum seja, até aqui, formalmente investigado. Na minha avaliação, eles não têm condições morais de permanecer nos cargos, ao menos até provarem que “tudo não passa de devaneios”. Se nada acontecer, e se cabeças não rolarem, fica difícil começar a falar em moralizar o país.

Fujão

Tal qual fez o pai depois de perder a eleição para Lula em 2022, Flávio Bolsonaro deixou o país e estaria nos Estados Unidos, descumprindo a ordem do STF que o proibia de sair do Brasil. Ainda não há mandado de prisão contra ele. Flávio temia, com toda razão, ser preso por causa dos inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal. Entre eles está o que investiga os repasses milionários de Daniel Vorcaro (Banco Master) que, em tese, deveriam ter bancado a cinebiografia de Jair, o Dark Horse.

Ex-aliados

Ex-aliados como o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) acusam Flávio de fugir para escapar das investigações. Otoni, que não apresentou provas, questiona o destino de R$ 134 milhões que, segundo ele, estariam ligados ao financiamento do filme. O exílio americano deve durar pelo menos até 2028. Trump não pode disputar um terceiro mandato, e, se um democrata vencer a eleição presidencial, a proteção de que os autoexilados brasileiros desfrutam hoje pode acabar.

Visto liberado

O Departamento de Estado americano informou nesta terça-feira que vai emitir vistos para Flávio e sua família e permitir a entrada deles nos Estados Unidos. Visto não é asilo político.

Cá entre nós

O que Flávio fez com os brasileiros que saíram de casa no domingo, 25, para votar foi estelionato eleitoral. Ele conseguiu desarticular a cúpula da direita, que depositava nele a esperança de construir uma liderança. Fugiu. Na tarde desta terça-feira, o PL fez uma reunião de emergência para avaliar os danos. E os resultados apareceram logo, quando a federação PP/União Brasil anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado.

Em outras palavras

Por mais que o PL tenha conquistado a maior bancada do Senado, ou a turma novata se enquadra e respeita a Casa, ou vai ficar isolada e, se aloprar, pode até perder o mandato. Portanto, muitas das promessas feitas durante a campanha, que contavam com Flávio na Presidência, vão ficar só nisso mesmo: promessas vazias.

De volta

Depois de uma longa pausa, por compromissos diversos e por cansaço, a coluna está de volta. Aos fins de semana, teremos um resumão em vídeo dos principais fatos políticos.

Contatos pelo e-mail: alan.alex@painelpolitico.com

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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