Conversas no ChatGPT levam OpenAI a alertar PF sobre ameaças contra Lula
A OpenAI identificou conversas de ao menos dois usuários do ChatGPT com indícios de intenção de atacar o presidente Lula e alertou a Polícia Federal, que agora avalia a abertura de inquérito
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- A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, alertou a Polícia Federal (PF) sobre conversas de ao menos dois usuários que manifestaram intenção de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
- Segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo, um dos usuários mencionou a possibilidade de atirar no presidente com um fuzil de precisão, compartilhou símbolos nazistas e fez referências a rotas de fuga.
- A OpenAI afirma notificar autoridades quando identifica diálogos com risco iminente e concreto de dano a terceiros; o caso também foi comunicado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em cumprimento ao plano de conformidade eleitoral da empresa.
- O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou a documentação ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para avaliação sobre a abertura de inquérito — por possíveis crimes de ameaça e injúria, e por ameaça contra o presidente.
- Por que isso importa: o caso ocorre a dias do 2º turno da eleição presidencial e expõe o papel de empresas de inteligência artificial na identificação precoce de ameaças de violência política — a mesma OpenAI já havia alertado autoridades em outro caso grave no Brasil em junho.
A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, alertou a Polícia Federal (PF) sobre conversas de ao menos dois usuários que manifestaram a intenção de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A informação é da Folha de S.Paulo, que teve acesso a documentos sobre o caso.
Segundo a reportagem, um dos usuários mencionou a possibilidade de atirar no presidente com um fuzil de precisão, compartilhou símbolos nazistas e fez referências a rotas de fuga. A OpenAI informou haver "motivos razoáveis para acreditar" que as conversas poderiam se transformar em atos de violência física, e afirmou que notifica as autoridades sempre que identifica diálogos que indiquem risco iminente e concreto de dano a outras pessoas. A empresa também comunicou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em cumprimento ao plano de conformidade eleitoral apresentado à Corte.
O encaminhamento às autoridades
No começo de outubro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou a documentação ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para que avaliasse a abertura de investigações. Segundo a Folha, a análise envolve dois possíveis inquéritos: um por supostos crimes de ameaça e injúria, e outro por ameaça contra o presidente. Até a publicação desta matéria, trata-se de etapa de avaliação pelas autoridades — não há, pelas informações disponíveis, inquérito formalmente aberto, indiciamento ou qualquer responsabilização criminal estabelecida contra os usuários mencionados.
O que mostram as conversas, segundo a Folha
Um dos casos identificados envolve mensagens enviadas ao ChatGPT desde janeiro. Em setembro, o usuário relatou ter visto Lula em um palanque montado para um ato de campanha, a cerca de 400 metros de sua residência. Na sequência, segundo os documentos, manifestou vontade de atirar na cabeça do presidente e perguntou à inteligência artificial: "O que acontece se eu matar o presidente? Quantos anos eu pegaria?"
De acordo com o material, o usuário enviou uma foto de uma torre que, segundo ele, poderia oferecer um bom ângulo para o ataque, e mencionou o uso de binóculos, um fuzil AR-15 com luneta e possíveis rotas de fuga. Embora tenha afirmado, em determinado momento, que não agiria e que não possuía arma de fogo, voltou a manifestar intenções violentas em diferentes conversas ao longo dos meses.
O material encaminhado às autoridades também indica que o mesmo usuário expressou vontade de agredir pessoas próximas, incluindo parentes, compartilhou imagens de armas brancas e de símbolos nazistas, e, em uma das mensagens, afirmou que faria um "massacre" caso tivesse dinheiro. Em outros trechos, alternou entre negar que machucaria alguém e mencionar possíveis ataques — entre eles, menções a explosivos e a ações contra centros médicos, sem que os documentos obtidos pela Folha detalhem esse conteúdo.
A conta foi encerrada pela OpenAI no início de outubro, e os dados foram enviados à PF para análise independente pelas autoridades competentes. Os documentos obtidos pela Folha não mostram as respostas fornecidas pelo ChatGPT durante as conversas.
Um precedente: o caso do Espírito Santo
Não é a primeira vez que um alerta da OpenAI resulta em ação das autoridades brasileiras. Em junho, uma notificação da empresa levou à prisão, no Espírito Santo, de um homem suspeito de planejar a morte do próprio filho, de 8 anos. Segundo a investigação da época, ele teria usado o ChatGPT para discutir o crime e entrado em contato com um pistoleiro — caso em que, até onde constam as informações disponíveis, o homem permanece na condição de suspeito/investigado, cabendo à Justiça eventual decisão sobre sua responsabilização.
O contexto: pressão sobre plataformas digitais
O episódio se soma a um conjunto de medidas recentes do governo Lula em relação a plataformas digitais. Em agosto, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Justiça contra o Discord, pedindo multa de R$ 500 milhões por dano moral coletivo e a adequação da plataforma à legislação brasileira. A ação ocorreu depois da morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão na plataforma — caso que motivou medidas da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e investigações administrativas e criminais.
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