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Ilha em Angra: Richarlison vence primeira etapa contra Willer Tomaz

O juiz negou o pedido para obrigar o jogador a apagar publicações e a parar de falar do caso. O processo, que pede R$ 200 mil por danos morais, continua

Ilha em Angra: Richarlison vence primeira etapa contra Willer Tomaz
📷 Reprodução /Julian Finney/Getty Images
📋 Em resumo ▾
  • A Justiça do Distrito Federal negou um pedido de urgência do advogado Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A contra o jogador Richarlison.
  • Eles queriam que o atacante apagasse publicações em que diz que a Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), lhe foi tomada, e que fosse proibido de voltar a falar do assunto.
  • O juiz Giordano Resende Costa entendeu que não havia publicações ativas e que proibir manifestações futuras poderia ser censura prévia.
  • A decisão não encerra o processo, que ainda pede R$ 200 mil de indenização por danos morais.
  • Por que isso importa: Willer Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro e é investigado no STF. Richarlison acusa os dois de terem ficado com o imóvel. Flávio nega qualquer ligação.
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A Justiça do Distrito Federal negou o pedido de tutela de urgência apresentado pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A e pelo advogado Willer Tomaz contra o jogador Richarlison. A ação trata das manifestações do atacante sobre a disputa envolvendo a Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A decisão é do juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília.

O que é tutela de urgência: é um pedido para que o juiz tome uma decisão imediata, antes do julgamento final, quando há risco de dano. Negar a tutela não significa que a ação foi perdida. O processo continua.

O que Willer Tomaz pediu

Na ação, a empresa e o advogado pediram que Richarlison:

  1. removesse publicações nas quais teria afirmado que o imóvel lhe foi tomado;
  2. não publicasse novas manifestações com teor parecido;
  3. pagasse multa se descumprisse a ordem.

A ação também pede R$ 200 mil de indenização por danos morais e um esclarecimento público nas redes sociais do jogador. Esses pedidos ainda não foram julgados.

Por que o juiz negou

O juiz apontou dois motivos:

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1. Não havia publicações ativas. Segundo a decisão, os próprios autores informaram que os conteúdos publicados nos stories, que somem automaticamente depois de 24 horas, já tinham expirado. Um comentário feito na publicação de outra pessoa também já tinha sido apagado pela dona do perfil. Ou seja, não havia o que remover naquele momento.

2. Proibir manifestações futuras seria censura prévia. Segundo o juiz, mandar o jogador se calar antecipadamente sobre o caso, em várias redes sociais e formatos, poderia configurar censura prévia e violar a liberdade de expressão, o que seria inconstitucional.

O magistrado ressaltou que eventuais excessos podem ser analisados depois, com a responsabilização cabível e a remoção de conteúdos que forem considerados ilegais.

Em linguagem simples: a Justiça não pode proibir alguém de falar antes que essa pessoa fale. Se Richarlison publicar algo ofensivo ou falso, poderá ser processado depois.

O que vem agora

  1. Willer Tomaz apresentou novos pedidos, com prints de outras publicações sobre o caso, pedindo remoção e responsabilização. Até a publicação, ainda não tinham sido analisados.
  2. O processo aguarda a citação de Richarlison, isto é, a notificação oficial de que ele está sendo processado. Ela será feita por carta precatória, um pedido da Justiça do DF para que a Justiça do Rio de Janeiro entregue a notificação.

A briga pela ilha

A Ilha Comprida pertence à União. A disputa é sobre o direito de ocupação do imóvel, administrado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). As versões são estas:

A versão de Richarlison:

  1. ele diz que comprou os direitos sobre o imóvel em outubro de 2020, com um sócio;
  2. afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões, incluindo R$ 4,66 milhões pagos aos antigos ocupantes, mais reforma e segurança;
  3. diz que nunca recebeu o dinheiro de volta e que o pedido de regularização dele ficou parado dez meses, enquanto o da empresa de Willer foi aprovado em um dia, em julho de 2022;
  4. pediu à Polícia Federal que investigue o caso.


A versão de Willer Tomaz:

  1. a empresa dele adquiriu os direitos legalmente;
  2. em 2022, a SPU transferiu a ocupação à WT Administração, e em junho de 2025 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão da Justiça do Rio que reconheceu a posse da empresa;
  3. Richarlison nunca foi parte dos processos, e a empresa ligada a ele perdeu as ações e desistiu dos recursos em 2025;
  4. uma investigação anterior sobre o negócio foi arquivada por falta de provas de crime.


Onde entra Flávio Bolsonaro: Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de terem ficado com o imóvel sem pagar a ele. Flávio nega. Segundo a assessoria do senador, ele não comprou, não vendeu, não intermediou o imóvel e não tem ligação com ele. Flávio e Willer reconhecem publicamente que são amigos desde 2019.

Segundo a CNN Brasil, a PF vai incluir o caso da ilha num inquérito que envolve Flávio e Willer. Na terça-feira (27/10), no dia em que Flávio deixou o país, Richarlison publicou um vídeo provocando o senador: “Ninguém na ilha?”.

Quem é Willer Tomaz

Willer Tomaz é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta lavagem de dinheiro, num inquérito que também envolve Flávio Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes mandou bloquear até R$ 6 bilhões dos bens dele. Willer nega irregularidades. Ele não foi denunciado nem condenado.

O outro lado

Willer Tomaz sustenta que a empresa dele tem a posse legal do imóvel, reconhecida pelo STJ, e que as manifestações de Richarlison são ofensivas. Richarlison ainda não foi citado no processo. O Painel Político procurou as defesas das duas partes e aguarda resposta.

A decisão desta semana não diz quem tem razão sobre a ilha. Essa disputa, pelo menos na Justiça, já foi decidida a favor da empresa de Willer Tomaz. O que o juiz fez foi reafirmar um princípio constitucional: ninguém pode ser proibido de falar antes de falar. Se Richarlison exagerar, poderá responder depois. Enquanto isso, a briga pela ilha continua nas redes, na Justiça e agora também na Polícia Federal, e ganhou outro peso com a saída de Flávio Bolsonaro do país.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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