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PF encontra conta de Flávio Bolsonaro junto à de suspeito do caso INSS

Mensagens obtidas pela PF indicam que o senador e candidato à Presidência dividia conta no Santander com o advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro. Ambos negam

PF encontra conta de Flávio Bolsonaro junto à de suspeito do caso INSS
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • E-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que uma conta no Santander ligada ao nome de Flávio Bolsonaro estava associada ao mesmo usuário master do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro desviado do INSS.
  • Willer Tomaz também é apontado por custear voos internacionais usados por Flávio Bolsonaro e sua família em 2024 e 2025, segundo a investigação.
  • Tanto Flávio Bolsonaro quanto Willer Tomaz negam, em nota, qualquer vínculo comercial ou financeiro entre eles — e afirmam que a conta nunca existiu da forma descrita.
  • Por que isso importa: o caso liga, ainda que por indícios a serem apurados, um candidato à Presidência da República a uma investigação sobre desvio bilionário das aposentadorias de milhões de brasileiros.
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E-mails obtidos pela Polícia Federal (PF) durante a operação Sem Desconto — que apura descontos indevidos contra aposentados do INSS — indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, dividia uma conta no banco Santander com o advogado Willer Tomaz, segundo reportagem publicada pelo UOL neste sábado (10). Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro desviado de aposentadorias. Os dois negam, em nota, qualquer vínculo comercial ou financeiro.

O que mostram os e-mails, segundo o UOL

De acordo com a reportagem, a PF teve acesso a documentos armazenados numa conta do iCloud de Willer Tomaz e encontrou troca de e-mails entre o escritório do advogado e o banco Santander sobre uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa de Tomaz sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

Ainda segundo o UOL, um e-mail datado de 22 de maio de 2025, enviado por Fayla Zulmira Menezes — identificada como funcionária de Willer Tomaz —, pede ao Santander que uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” fosse desassociada do “usuário master” ligado ao advogado. No mesmo dia, o banco teria confirmado a exclusão. O UOL registra que esse movimento ocorreu cerca de um mês após a primeira fase da operação Sem Desconto, que apura desvio de até R$ 6,3 bilhões das aposentadorias.

“A PF aponta para a necessidade de aprofundar a investigação sobre movimentações financeiras do advogado e de suas empresas e, também, a relação com agentes públicos como Flávio Bolsonaro” — trecho do relatório da PF citado pelo UOL.

Importante explicar o que isso significa e o que não significa: pelo sistema do próprio Santander — citado na reportagem —, uma conta de pessoa jurídica pode ter mais de um usuário vinculado, dividido entre “master” (acesso a todas as operações) e “secundários” (acesso limitado ao que o master autoriza). O fato relatado é a existência de um e-mail pedindo a retirada de uma conta chamada “Flávio Bolsonaro” desse grupo de usuários. A reportagem do UOL é, até aqui, a única fonte desse conteúdo.

Quem é Willer Tomaz e por que ele é investigado

Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado do INSS em benefício do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado no caso — nenhum dos dois foi indiciado, denunciado ou condenado até o momento, conforme os termos usados pela própria reportagem. O advogado já havia sido preso em 2017, no inquérito sobre propina da JBS; a denúncia contra ele, nesse caso anterior, foi rejeitada depois por falta de provas — ou seja, não houve condenação.

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Segundo a investigação citada pelo UOL, as empresas e escritórios ligados a Tomaz funcionariam como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” à disposição de beneficiários do esquema, entre eles Weverton Rocha. No caso de Flávio Bolsonaro, a existência dos e-mails sobre a conta no Santander, somada a voos internacionais custeados por empresas do advogado, sustentaria — segundo a reportagem — uma linha de investigação sobre se o senador também seria beneficiário dessa estrutura. É uma linha de apuração em curso, não uma conclusão da PF ou da Justiça.

Tomaz também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas (bets). Segundo documentos anexados por sua própria defesa a uma ação de indenização contra a empresa Blaze — citados pelo UOL —, ele teria apostado R$ 6,6 bilhões entre janeiro de 2025 e julho de 2026, alegando sofrer de ludopatia (vício em jogos) e pedindo à Justiça a devolução de R$ 188,5 milhões em prejuízo. Trata-se de alegação da própria defesa de Tomaz nesse processo distinto, não de um fato apurado pela PF.

Os voos internacionais

A PF também apurou, segundo a reportagem, que duas empresas de Willer Tomaz no exterior — a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings, ambas em Portugal — pagaram voos em jatos executivos usados por Flávio Bolsonaro e sua família em 2024 e 2025. Tomaz se declara único sócio da Alcazar e titular de 24% da Cathedral.

Um dos voos citados foi em um jato Legacy 650 do qual a Alcazar teria um terço de cota — outro terço pertenceria à empresa Prime You, que teve como sócio Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso desde março deste ano em outro processo. Nesse jato, segundo a investigação, viajaram Flávio Bolsonaro, a esposa, as duas filhas e Willer Tomaz, de Fort Lauderdale (EUA) a Brasília, em janeiro de 2025. Tomaz afirmou à reportagem que pagou o trecho com horas da própria cota e que os demais viajaram como convidados.

A reportagem do UOL também menciona pelo menos cinco viagens internacionais de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz juntos no primeiro semestre de 2025 — incluindo trechos entre Lisboa, Nice, Cascais e Paris — e cita que o próprio senador já havia admitido publicamente, antes desta reportagem, manter uma “amizade legítima” com o advogado, incluindo um safári na África em março de 2025.

Outro ponto levantado pela reportagem

Flávio Bolsonaro é sócio de um escritório de advocacia em Brasília administrado, segundo registros da Receita Federal citados pelo UOL, por Letícia Caetano dos Reis. O irmão dela, Alexandre Caetano dos Reis, foi preso na operação sobre desvios do INSS por suspeita de prestar serviços de contabilidade a Antonio Carlos Camilo Antunes, apontado pela PF como principal operador financeiro do esquema. Em entrevista à Agência Pública em 2022 — mencionada pelo UOL —, a administradora do escritório de Flávio disse ter sido apresentada ao senador pelo próprio Willer Tomaz.

O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

A assessoria de Flávio Bolsonaro enviou nota ao UOL negando a existência do vínculo: “O senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa.” A nota classifica as informações como tentativa de “espalhar fake news” em período eleitoral e afirma que isso configura crime eleitoral.

Willer Tomaz também negou, em nota própria: “A conta bancária mencionada nunca lhe pertenceu. Ele jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma. Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira.” A nota afirma que o advogado vai adotar “todas as medidas judiciais cabíveis” contra quem divulgar acusações que considera falsas.

Até a publicação desta matéria, as duas versões — a da investigação relatada pelo UOL e a dos próprios citados — são as únicas disponíveis ao Painel Político, que não teve acesso direto aos e-mails, ao relatório da PF ou ao andamento processual da operação Sem Desconto.

É nesse ponto que o caso ganha peso político: um candidato à Presidência da República aparece citado, por indícios ainda a confirmar, numa investigação sobre o desvio de aposentadorias de milhões de brasileiros — num momento em que a corrida eleitoral de 2026 já está em curso. Se os indícios se confirmarem em fontes primárias, o caso tende a pesar na campanha; se não, a disputa em torno da veracidade da informação — como já sinalizam as notas de ambos — deve continuar.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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