Eleições 2026

"Vamos preservar, mas também desenvolver": Flávio Bolsonaro fala sobre a Amazônia em live com Bruno Scheid

Em live transmitida pelo Instagram na véspera do primeiro turno, o então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o senador eleito Bruno Scheid criticaram o ministro Alexandre de Moraes e o governo Lula, e pediram voto unificado para Rondônia

"Vamos preservar, mas também desenvolver": Flávio Bolsonaro fala sobre a Amazônia em live com Bruno Scheid
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • Bruno Scheid (PL) recebeu Flávio Bolsonaro (PL) em live no Instagram no dia 3 de outubro, véspera do primeiro turno
  • Os dois criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro
  • Flávio defendeu que o "centro" de um eventual governo seu seria "o cidadão" e prometeu conciliar preservação da Amazônia com desenvolvimento
  • Bruno pediu voto unificado em Rondônia: "quem vota no Bruno, vota no Fernando, e quem vota no Flávio vota no Marcos Rogério"
  • Por que isso importa: a live mostra como o discurso sobre a Amazônia e a crítica ao STF se tornaram eixos centrais da campanha de Flávio Bolsonaro nos estados do Norte, horas antes da votação
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O senador eleito Bruno Scheid (PL) recebeu o então candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em uma live transmitida pelo Instagram no dia 3 de outubro, véspera do primeiro turno das eleições. Na conversa, os dois criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atacaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defenderam um discurso de desenvolvimento para a Amazônia, além de pedir voto unificado para candidatos de Rondônia.

"O ditador deu 90 dias": a crítica a Moraes

Bruno Scheid abriu a conversa dizendo a Flávio: "Meu presidente, que honra falar isso, hein." Flávio respondeu: "Obrigado. Amém, recebo." Na sequência, Bruno citou "a crueldade que o Supremo fez com o presidente Bolsonaro, inclusive você como filho", ao que Flávio completou: "Inclusive vence daqui a pouco o prazo que o ditador deu."

A referência é a uma decisão real do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que em 13 de julho de 2026 determinou a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, por 90 dias. Segundo a decisão, a medida foi tomada depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta escrita por Jair Bolsonaro, conduta que Moraes classificou como possível descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente — e como possível "propaganda eleitoral antecipada", de acordo com trechos da decisão divulgados pela imprensa à época. À ocasião, a defesa de Flávio recorreu da decisão. Contando os 90 dias a partir de 13 de julho, o prazo venceria por volta de 11 de outubro — ou seja, na live de véspera do primeiro turno, Flávio já se referia a um impedimento prestes a se encerrar.

Bruno completou o raciocínio dizendo que Moraes "te impediu de estar do lado daquilo que ele tem medo" e que o ministro "deve sonhar com o sobrenome do seu pai todos os dias". Para ele, a tentativa de afastar Flávio do pai não funcionou: "sei que nada adiantou, o brasileiro acordou, a Amazônia brasileira acordou, Flávio."

Amazônia, Ibama e a promessa de "desenvolver"

A live dedicou boa parte do tempo à Amazônia. Bruno Scheid afirmou receber mensagens de apoio "de todos os estados" da Amazônia Legal e atribuiu esse apoio à fiscalização ambiental na região: "é Ibama e Icmbio — porque elegeram a turma do amor, foram lá, votaram na turma do amor", disse, referindo-se ao PT. Segundo ele, "hoje tem Ibama, Icmbio 24 horas em cima deles, são tirados de suas áreas que estão lá a 40, 50 anos, sobrevivendo e comendo, e mantendo a economia da região Norte de pé" — uma crítica direta à atuação dos órgãos federais de fiscalização ambiental sobre moradores da região.

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Flávio respondeu assumindo o compromisso: "Eu quero me comprometer com isso, Bruno. O centro do nosso governo vai ser o cidadão, vai ser a pessoa, tá. E eu faço questão de me comprometer com isso: a gente vai preservar a Amazônia, mas vamos desenvolver também."

Bruno emendou classificando o governo Lula como "bandido" por, segundo ele, tratar "quem vive na Amazônia como bandido. A gente sabe muito bem que isso vai se encerrar no teu governo", completou, pedindo que o áudio da live fosse compartilhado "nos grupos" dos "sete estados da Amazônia Legal" — num apelo feito horas antes da abertura das urnas.

"Quem vota no Bruno, vota no Fernando, e quem vota no Flávio vota no Marcos Rogério", disse Bruno Scheid, com Flávio respondendo: "É isso aí — não tem briga, quem vota em um vota no outro e tá resolvido."

O recado para o Nordeste e o pedido de voto em Rondônia

Na sequência, Bruno Scheid se dirigiu também ao eleitorado nordestino: "digo para os amigos que tenho no Nordeste: Flávio Bolsonaro vai melhorar a tua vida que o Lula não melhorou, cara. Lula prometeu tudo pra você e quem vai te entregar é o Flávio." Depois, voltou a Rondônia, celebrando a adesão à campanha e citando os então candidatos Marcos Rogério (PL), ao governo do estado, e Dr. Fernando Máximo (PL), ao Senado — ambos eleitos no dia seguinte, 4 de outubro, no primeiro turno.

Bruno encerrou contando que rodou "32 mil km" de carro pelo estado durante a campanha, com o veículo identificado com os dizeres "Fora Moraes e Fora Lula", e disse a Flávio: "o teu pai te colocou aonde você tem que tá e você vai ser presidente do Brasil." Flávio respondeu: "e vamos honrar ele", encerrando a transmissão com uma saudação a Rondônia e ao número de urna de Bruno Scheid: "222".

Feita horas antes da abertura das urnas, a live resume o tom que marcou a reta final da disputa em Rondônia: crítica ao STF, discurso de desenvolvimento para a Amazônia e pedido explícito de voto casado entre os candidatos do PL no estado — estratégia que, no dia seguinte, resultou na eleição de Marcos Rogério, Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid, com Flávio Bolsonaro seguindo para o segundo turno à frente de Lula.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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