Cunhado de Vorcaro afirma, em áudio, que banqueiro escondeu R$ 20 bilhões fora do país
Reportagem da revista piauí traz áudios do operador financeiro Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que ele manteve R$ 20 bilhões fora do país durante o colapso do Banco Master
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- A revista piauí divulgou áudios em que Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, afirma que o ex-banqueiro guardou R$ 20 bilhões no exterior
- As gravações foram feitas entre 2023 e março de 2026, em conversas privadas de Zettel com uma mulher com quem manteve relacionamento extraconjugal
- A cifra e o relato sobre uma suposta proximidade entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes (STF) constam apenas nas declarações de Zettel, sem confirmação de autoridades até a publicação
- Por que isso importa: o caso está sob investigação da Polícia Federal e envolve Vorcaro e Zettel presos preventivamente na Operação Compliance Zero
A revista piauí divulgou nesta quarta-feira (30) áudios que mostram Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que o fundador do Banco Master manteve cerca de R$ 20 bilhões no exterior durante o colapso da instituição financeira. É importante marcar, desde já, que a cifra é uma declaração feita por Zettel em conversa privada — não um dado confirmado por perícia, pela Polícia Federal ou por decisão judicial até o momento desta publicação.
O que dizem os áudios
Segundo a piauí, as gravações foram feitas entre 2023 e março de 2026, em conversas de Zettel com uma mulher com quem manteve relacionamento extraconjugal, identificada pela revista sob nome fictício. Os áudios teriam sido obtidos pela Polícia Federal no curso das investigações e depois revelados pela piauí.
Em um dos trechos, tratando da dificuldade de Vorcaro em acessar os recursos, Zettel afirma: "Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá." A declaração é atribuída exclusivamente a ele nas gravações — não há, nas fontes consultadas, confirmação independente do valor ou da existência desses recursos.
"Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá."
— Fabiano Zettel, segundo áudio obtido pela revista piauí
Zettel também teria relatado, segundo a reportagem, que ele próprio levou dinheiro para o exterior durante a crise, por temer o bloqueio de seus bens e contas — um relato sobre conduta do próprio Zettel, distinto da afirmação sobre os recursos atribuídos a Vorcaro.
A menção a Alexandre de Moraes
Um dos pontos mais delicados dos áudios é uma fala em que Zettel comenta a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF): "Xandão, melhor amigo, Daniel. Tô contando com ele." É essencial registrar o que essa frase é e o que ela não é: trata-se de uma opinião pessoal expressa por Zettel numa conversa privada, sem qualquer documento, prova ou manifestação de Moraes anexada a ela. Não há, nas fontes consultadas, resposta do ministro sobre a menção, e nada nos áudios indica conduta irregular de sua parte — a frase registra apenas a percepção de Zettel sobre uma relação pessoal.
O contexto da investigação
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 e voltou a ser preso em março de 2026, numa nova fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades ligadas ao colapso do Banco Master. Segundo uma das reportagens consultadas, mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicariam participação de Vorcaro em decisões de empresas ligadas a Zettel — uma apuração da investigação, ainda sem julgamento definitivo. Zettel e Vorcaro seguem presos preventivamente.
Contexto e antecedentes
O Banco Master entrou em colapso e teve a liquidação decretada após irregularidades apuradas pelo Banco Central, dando origem à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Os áudios agora revelados pela piauí se somam a outros elementos já em análise pelas autoridades sobre a movimentação de recursos do grupo controlado por Vorcaro.
Enquanto a Polícia Federal e a Justiça ainda não confirmam ou refutam a existência dos R$ 20 bilhões mencionados por Zettel, a frase que circula é a dele — e cabe às autoridades, não às conversas privadas vazadas, dizer se ela corresponde à realidade.
Versão em áudio disponível no topo do post.