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Deputada leva ao STF denúncia sobre mineração, Vorcaro e Nikolas Ferreira

Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou ao TCE-MG, à PF e ao STF uma representação que cruza um áudio de Nikolas Ferreira pedindo ajuda a Daniel Vorcaro, negócios de mineração em Minas Gerais e o paradeiro de uma testemunha ligada ao "Sicário" de Vorcaro

Deputada leva ao STF denúncia sobre mineração, Vorcaro e Nikolas Ferreira
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  • A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou ao TCE-MG, à PF e ao STF uma representação com três frentes: negócios de mineração ligados a Vorcaro no governo Zema, um áudio de Nikolas Ferreira pedindo ajuda ao banqueiro, e o paradeiro de Nathana Lopes Figueiredo
  • O áudio em que Nikolas chama Vorcaro de "Dani" e "lindão" já havia sido divulgado pelo ICL Notícias e teve autenticidade confirmada pelo próprio deputado
  • Nathana Lopes Figueiredo estava com Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário" de Vorcaro, quando ele morreu sob custódia da PF; ela viajou a Dubai após autorização do ministro André Mendonça, do STF, contra recomendação da própria PF
  • Por que isso importa: o caso Banco Master já envolve prisão preventiva de Vorcaro, morte sob custódia e uma organização apontada pela PF como estrutura de intimidação a jornalistas e funcionários
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A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) uma representação para investigar possíveis relações entre o governo de Romeu Zema (Novo), empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e atividades de mineração no estado — segundo reportagem da Revista Fórum. A parlamentar também cobra da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) esclarecimentos sobre o paradeiro de uma mulher apontada como testemunha relevante nas investigações sobre o ex-controlador do Banco Master.

A representação reúne três frentes, com níveis de confirmação bem diferentes entre si — e é importante não misturá-las.

1. O áudio de Nikolas Ferreira: fato confirmado e já público

A frente mais sólida é um áudio obtido pela Polícia Federal, enviado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a Daniel Vorcaro em 30 de março de 2025. O conteúdo já havia sido revelado anteriormente pelo ICL Notícias e repercutido por diversos veículos, incluindo o Brasil de Fato e o Diário de Joinville. Na gravação, Nikolas chama o banqueiro de "Dani" e "lindão", diz quf gostaria de ter mais proximidade com ele e pede ajuda para "destravar" um ativo minerário no distrito de Rodrigo Silva, em Ouro Preto — negócio que, segundo a reportagem, beneficiaria Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor de gabinete de Nikolas. A apuração indica que o ativo está ligado à Mineração Topázio Imperial e a uma barragem de rejeitos apontada como de alto risco de rompimento.

"Cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica."
— Nikolas Ferreira, em áudio a Daniel Vorcaro, 30 de março de 2025

Nikolas confirmou a autenticidade do áudio e reconheceu ter usado jatinhos cedidos por Vorcaro na campanha de 2022, mas negou qualquer pagamento: "Não recebi nenhum tostão", declarou, segundo a reportagem. Ele chegou a pedir à Justiça Eleitoral mineira que determinasse a retirada de circulação do áudio, pedido que não prosperou. Thiago Faria, por sua vez, confirmou ao ICL que atua no setor de mineração, negou irregularidades e disse nunca ter sido chamado para depor à PF sobre o caso. Até aqui, não há decisão judicial que classifique a conduta de Nikolas como crime — o episódio está sob apuração, e a fala dele é melhor descrita como pedido de intermediação pessoal a um amigo, como ele mesmo caracterizou, até que investigação diga o contrário.

2. Nathana Lopes Figueiredo: fato confirmado, com decisão judicial já tomada

A segunda frente é mais grave e também tem ampla confirmação em outras fontes. Nathana Lopes Figueiredo estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", quando ele foi preso em 4 de março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Mourão morreu horas depois, sob custódia da Polícia Federal — por suicídio, segundo apuração interna da própria PF, que abriu investigação sobre as circunstâncias e entregou registros em vídeo ao ministro relator do caso.

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Segundo a PF, Mourão coordenava uma estrutura chamada "A Turma", que recebia cerca de R$ 1 milhão por mês — pagos, segundo investigação citada por múltiplos veículos, por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro — para monitorar adversários, intimidar funcionários e, em um episódio relatado pela PF, discutir a possibilidade de agredir o jornalista Lauro Jardim, d'O Globo. Essas são apurações da Polícia Federal já constantes em autos do STF, não alegações isoladas da deputada.

Depois da prisão de Mourão, a PF pediu ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, que determinasse a apreensão do passaporte de Nathana e a proibição de que ela deixasse o país. Mendonça negou o pedido, e Nathana viajou para Dubai, onde sua defesa afirma que ela reside legalmente — a defesa também sustenta que ela não participou dos crimes investigados, não foi indiciada e não está submetida a medidas cautelares. Não há, nas fontes consultadas, confirmação pública de que ela tenha retornado ao Brasil ou prestado depoimento formal. É essa lacuna — paradeiro e eventual depoimento — que a representação de Bella Gonçalves cobra do STF e da PF, não uma acusação direta contra Nathana.

3. A mineradora Tamisa e a Serra do Curral

O ponto central é a Taquaril Mineração S/A (Tamisa), empresa que tentou explorar minério na Serra do Curral, em Belo Horizonte — área ambiental protegida e um dos símbolos da capital mineira. Segundo o O Tempo, a representação aponta que a Tamisa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) em maio de 2022 — no mesmo mês em que o processo de tombamento definitivo da Serra do Curral foi adiado nos órgãos responsáveis (Copam e Iepha), segundo apuração do portal Vila de Utopia. A representação também chama atenção para o crescimento do número de TACs firmados entre empresas de mineração e o governo de Minas durante a gestão Zema.

É importante marcar o que esse dado mostra e o que não mostra: a coincidência de datas entre o TAC e o adiamento do tombamento é um indício levantado pela deputada, não uma prova de que houve relação de causa e efeito entre os dois eventos — isso é justamente o que a representação pede ao TCE-MG que apure.

Vale registrar que essa não é uma pauta nova para Bella Gonçalves: ela já denunciava publicamente a mineração irregular na Serra do Curral desde pelo menos 2022, quando, então vereadora de Belo Horizonte, pediu audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal. Uma reportagem da Agência Pública de 2023, com a jornalista Alice Maciel, já apontava que uma mineradora atuou por cinco anos "ao pé da Serra do Curral" sem licenciamento ambiental, às margens do Rio das Velhas — manancial que abastece cerca de 70% da Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo a mesma reportagem.

A Itaminas e a doação ao Partido Novo

A representação cita ainda a Itaminas, mineradora da qual Daniel Vorcaro foi acionista até setembro de 2025, segundo o O Tempo. E aponta que, meses depois — segundo a oposição, às vésperas da campanha de reeleição de Zema —, Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, doou R$ 1 milhão ao Partido Novo. Essa é uma sequência de fatos apresentada pela deputada como indício a ser investigado; a representação não afirma que a doação tenha sido contrapartida por algum benefício específico, e essa relação de causalidade também está entre o que se pede ao TCE-MG que avalie.

Outro ponto citado é a chamada Mina de Jangada, em Brumadinho, e referências ao uso de "consignado" — descontos em folha de servidores públicos — como mais um fio que, segundo Bella, liga a administração estadual a interesses do grupo Vorcaro. A reportagem consultada não detalha o mecanismo exato dessa ligação, o que recomenda cautela antes de resumi-la como fato fechado.

"Em Minas, as digitais de Vorcaro aparecem no contracheque dos servidores, na Serra do Curral, em Brumadinho e agora num pedido de Nikolas Ferreira para destravar um negócio milionário em cima de uma das barragens mais perigosas do país."
— Bella Gonçalves, segundo a Revista Fórum

Contexto e antecedentes

O caso se insere nas investigações da Operação Compliance Zero sobre o colapso do Banco Master, que já resultou na prisão preventiva de Daniel Vorcaro, de seu pai Henrique Vorcaro e de outros integrantes de seu círculo. A Revista Fórum já havia mapeado outras ligações entre políticos bolsonaristas e viagens em aeronaves de Vorcaro, incluindo Flávio Bolsonaro. A Serra do Curral é há décadas um símbolo ambiental e político de Belo Horizonte, habitada por comunidades quilombolas e periféricas, segundo reportagens anteriores do Brasil de Fato. A disputa entre mineradoras e movimentos ambientais pela área é anterior ao caso Banco Master — o que a nova representação de Bella Gonçalves faz é tentar conectar esse histórico de conflitos fundiários e ambientais às investigações mais recentes sobre o grupo de Daniel Vorcaro.

Das três frentes que Bella Gonçalves levou às autoridades, duas já têm lastro documental reconhecido por investigações em curso; a terceira ainda depende do TCE-MG dizer se há, de fato, algo a apurar — e é nessa distinção que qualquer cobertura responsável do caso precisa se apoiar.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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